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Juiz deve ouvir vítimas de menores suspeitos de agressão na Paulista

Juiz deve ouvir vítimas de menores suspeitos de agressão na Paulista

Atualizado: Sexta-feira, 10 Dezembro de 2010 as 8:47

O Juizado Especial da Vara da Infância e Juventude de São Paulo deve começar a ouvir na manhã desta sexta-feira (10) cerca de dez testemunhas de acusação contra os jovens suspeitos de agredir pessoas na região da Avenida Paulista no dia 14 de novembro. A informação é dos advogados dos quatro adolescentes, com idades entre 16 e 17 anos, que estão na Fundação Casa (antiga Febem) após a Justiça decretar a internação provisória deles em 23 de novembro.   Jonathan Lauton Domingues, de 19 anos, o único maior de idade do grupo suspeito dos ataques, continua em liberdade. A Polícia Civil, no entanto, remeteu o inquérito com os laudos e os vídeos das agressões gravados por câmeras de segurança dos prédios ao Ministério Público e a Vara do Júri. Também foi pedida a sua prisão preventiva. A Justiça ainda não analisou o pedido. O motivo das agressões seria homofobia. Algumas das vítimas seriam gays ou estariam andando com homossexuais.

Na manhã desta sexta, vítimas dos menores de 18 anos e testemunhas que presenciaram a onda de violência praticada pelos adolescentes deverão prestar depoimento na Vara da Infância e Juventude que fica no Brás, na região central da capital paulista. Na próxima sexta (17), deverão ser ouvidas as testemunhas da defesa. Após essa fase, o magistrado responsável pelo caso deverá decidir se absolve ou pune os suspeitos.

Recursos

Os defensores de alguns garotos suspeitos dos ataques entrariam com recursos contra a internação deles no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Como o caso envolve adolescentes, a assessoria de imprensa do TJ informou que não poderia fornecer informações sobre os pedidos de liberdade por causa do sigilo. Na segunda (6), o mesmo juiz da Infância e Juventude já havia ouvido o relato dos quatro menores suspeitos. Cada um deu sua versão para os fatos. Apesar de alguns assumirem a autoria dos ataques, todos negaram que tenham batido nos rapazes por achar que eles fossem gays.

O garoto de 16 anos que aparece nas imagens desferindo golpes com lâmpadas fluorescentes no estudante de jornalismo Luís Alberto Betonio, de 23 anos, disse ao juiz que estava arrependido do que fez. Em entrevista por e-mail ao G1 , publicada na segunda e intermediada por seu advogado, Davi Gebara, o menor pediu uma “nova chance” para mostrar que pode responder a acusação solto e em convívio pacífico com a sociedade. A reportagem apurou que ele chegou a afirmar a Justiça que só agrediu o estudante porque “surtou”.

Em entrevista ao Fantástico, Betonio afirmou que não é homossexual, mas foi confundido.

Outro lado

“Ele [adolescente] voltou a dizer que está arrependido. Não houve homofobia”, afirmou Davi Gebara ao deixar a Vara da Infância e Juventude, na segunda-feira. “No meu entendimento, ele deve permanecer solto”, havia dito no mesmo dia o outro advogado do garoto, Antônio Salim Curiati Junior. “O menino tem residência fixa e é primário”.

Os advogados João Alberto Afonso e Feernando Augusto Dias Afonso, que defendem um adolescente de 17 anos suspeito das agressões, negaram a participação do cliente deles nos ataques. O G1 não conseguiu localizar Jonathan ou seu advogado para comentar o assunto.

Outros casos

Na madrugada do último domingo (5), houve mais um ataque contra homossexuais na região da Avenida Paulista. Câmeras de segurança registraram o momento em que as vítimas foram agredidas violentamente por um homem. Nos últimos meses, foram pelo menos seis ataques na região, com oito vítimas feridas.    

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