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Juíza pede investigação para apurar se deputado desacatou policial

Juíza pede investigação para apurar se deputado desacatou policial

Atualizado: Terça-feira, 6 Setembro de 2011 as 1:28

A juíza eleitoral Alexsandra Lacerda afirmou nesta segunda-feira (5)  que instaurou procedimento apurar desacato do deputado Welington Landim a um policial na cidade de Jardim, durante as eleições suplementares em Jardim, neste domingo (4). Como o deputado tem foro privilegiado, os autos serão encaminhados à procudoria do Ministério Público, que pode denunciar Landim por desacato. O procedimento é uma ação pública incondicionada e será apurado pelo Ministério Público.

O deputado Welington Landim disse ao G1 que está à disposição da Justiça e que deve acionar seu advogado caso receba a denúncia. O deputado alega também que não houve desacato. "O que houve foi excesso em tratar mal as pessoas, excesso de querer humilhar. O carro do ex-prefeito Fernando Luz foi vistoriado cinco vezes, e em nenhuma das vezes foi encontrada alguma coisa."

A juíza eleitoral expediu mandado de busca e apreensão após receber denúncia de que Landim e o ex-prefeito cassado de Jardim, Fernando Luz, estariam intimidando os eleitores com uma arma de fogo. Na vistoria, segundo a juíza, Landim insinuou que um soldado iria roubar seu veículo.

“Uma das pessoas que andavam com eles era um procurado nosso e nós queríamos prendê-lo em flagrante”, diz a juíza. No momento da vistoria o deputado falou para a reportagem da TV Verdes Mares Cariri: “Registre aqui a imprensa, para saber se eles não vão roubar”. O policial que cumpria o mandado de busca respondeu “aqui não tem ladrão, tenha calma”. Em seguida o deputado Landim treplicou: “Então me processa”.

O deputado Welington Landim justificou em discurso no plenário da Assembleia Legislativa na terça-feira (6) que nunca precisou de uma arma, e a vistoria não foi em seu carro, mas sim no do ex-prefeito, Fernando Luz. O parlamentar disse que passou o domingo passeando pela cidade, mas que não estava em contato com Fernando, e que só o encontrou na saída do Fórum Eleitoral, depois de encerrada as eleições, quando aconteceu a vistoria.     No carro, foi encontrada uma arma, segundo a juíza. Ela pertencia a um policial que tinha porte para transportar a arma. A juíza determinou a apreensão temporária da arma até que as eleições fossem encerradas. “Nós recebemos a denúncia de que eles estariam usando essa arma para intimidar os eleitores”, diz a juíza Alexsandra.

Ameaças de morte

Ainda de acordo com a juíza Alexsandra Lacerda, os dias anteriores às eleições em Jardim foram “conturbados”. “Recebemos ameaças de morte, de queima de urnas eletrônicas, os delegados de sessão também foram ameaçados”, diz a juíza. Alessandra diz também que adiou até o dia das eleições a entrega das urnas eletrônicas nas zonas eleitorais. “Se entregassem urnas eletrônicas no dia anterior, os delegados poderiam entrar na lista dos possíveis mortos”, afirma. A Justiça Eleitoral recomenda que as urnas eletrônicas sejam entregues no dia anterior à data do pleito.

Deputado estadual Welington Landim teria

insinuado que policial queria furtar seu veículo

(Foto: Marília Camelo/Agência Diário)

  A Justiça eleitoral pediu reforço às polícias federais e civil. O coronel Francisco Gomes avaliou como tranquilo o dia da eleição. “Estivemos com todo reformo solicitado pela Justiça Eleitoral com cerca de 120 homens, e chegamos ao fim da votação na mais perfeita tranquilidade.”

Prefeito eleito

As eleições suplementares de Jardim elegeram o prefeito mais jovem do Brasil, o estudante universitário Antônio Roriz Neves, de 22 anos. Ele deve tomar posse na Câmara de Jardim em 29 deste mês, em sessão extraordinária.

Roriz substitui o ex-prefeito cassado Jorge Luz, que estava na companhia de Welington Landim no momento da busca e apreensão do veículo onde os policiais suspeitavam de ter armas transportadas de forma ilegal. Ele foi cassado após denúncia de abuso de poder político.                

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