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Júri condena 3 pessoas pela morte de Celso Daniel

Júri condena 3 pessoas pela morte de Celso Daniel

Atualizado: Sexta-feira, 11 Maio de 2012 as 11:10

A condenação, na noite desta quinta-feira (10), de mais três reús acusados da morte do prefeito de Santo André Celso Daniel, em janeiro de 2002, foi recebida com a alegria pelo irmão da vítima, Bruno José Daniel Jr., que acompanhou o julgamento no Fórum de Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo. Apesar disso, ele disse que ainda "falta muito para a família dormir tranquila".

Os jurados decidiram condenar os réus Ivan Rodrigues da Silva, conhecido como "Monstro", José Edson da Silva e Rodolfo dos Santos Oliveira pelo crime.

De acordo com a sentença lida pelo juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov, "Monstro" terá de cumprir 24 anos de prisão, enquanto que José Edson e Rodolfo dos Santos foram condenados a 20 e 18 anos de reclusão em regime fechado, respectivamente.

"A família vai domir tranquila quando boa parte daquilo que aconteceu no assassinato do Celso ainda seja desvendado. Há muito ainda para desvendar. Então, falta muito para a família dormir tranquila", declarou Bruno Daniel.
Bruno elogiou o trabalho do Ministério Público e disse que "valeu a pena lutar". "Valeu a pena esperar dez anos e tenho paciência para muito mais coisas que surgirem. Isso abre espaço para novas condenações", completou.

Defesa

Ao menos, por enquanto, os advogados de defesa dos três condenados não cogitam entrar com recurso contra a condenação. Luís Antonio Pires, advogado de Ivan Rodrigues da Silva, disse que, primeiro, vai analisar "detalhadamente a sentença".

José de Ribamar Baima e Patrícia Ramunni, que defenderam, respectivamente, Rodolfo e José Edison, afirmaram que não irão recorrer. No caso de José Edison, que tinha o direito de responder ao crime em liberdade por força de uma habeas corpus, mas estava preso por outros delitos, ele deve continuar com o direito de permanecer em liberdade, mesmo com a condenação.

A advogada dele disse que abrirá mão de entrar com recurso para pedir o benefício de poder alterar do regime fechado o cumprimento do restante da pena para o semiaberto. Ela disse que já esperava pela condenação, devido "à grande comoção" gerada pelo caso.

Promotoria

Já para o promotor Márcio Augusto Friggi de Carvalho, a decisão do júri representa a plena aceitação da tese de crime político defendida pelo MP como motivação para o crime. "Não tenho dúvida que vai ter influência no julgamento do 'Sombra' [apelido de Sérgio Gomes da Silva, apontado como mandante do crime]. Os jurados reconheceram que o crime foi cometido mediante pagamento, reconheceram que na verdade não se tratou de um crime convencional", declarou. Para ele, a sentença foi adequada e, por isso, não vai recorrer.

O juiz Augusto Galvão de França Hristov, por sua vez, informou que irá relatar à representação da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) a decisão de dois defensores que se retiraram do plenário, no início do julgamento, e assim conseguiram adiar o júri deles para agosto. Quanto à data do julgamento de Sombra, não há previsão, por enquanto, para ocorrer, segundo ele.

Confissão sob tortura

Durante o júri, os três réus afirmaram que são inocentes e alegaram que anteriormente confessaram o crime à polícia porque foram torturados. O MP diz que a morte foi encomendada após Celso Daniel descobrir que dinheiro desviado da Prefeitura de Santo André, no ABC, para financiar a campanha eleitoral do PT para a presidência da República estava sendo usado pelos integrantes do esquema.

Ao todo, sete pessoas são acusadas do crime. Em novembro de 2010, Marcos Roberto Bispo dos Santos, que continua foragido, foi julgado à revelia e condenado a 18 anos de prisão. Conhecido como "Sombra", Sérgio Gomes da Silva, é apontado como o mandante. Ele trabalhava como segurança de Celso Daniel. Atualmente, ele responde em liberdade devido a um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal.

Julgamento

O julgamento desta quinta-feira começou com cerca de duas horas de atraso. Advogados de dois réus que também seriam julgados nesta sessão abandonaram o plenário e conseguiram o adiamento do júri de seus clientes para 16 de agosto.

Segundo o promotor, a quadrilha responsável pela morte seria formada por pelo menos seis homens. Ela teria sido contratada pelo empresário e segurança de Celso Daniel, o Sombra. O objetivo, segundo o MP, era fazer uma "queima de arquivo", já que Daniel estaria descontente com o uso do esquema de arrecadação de verbas montado na Prefeitura de Santo André para abastecer um “caixa dois” do Partido dos Trabalhadores (PT).

Ligações telefônicas apresentadas pelo promotor Márcio Augusto mostram que não houve nenhuma ligação entre Ivan Rodrigues da Silva e José Edson da Silva, dois dos réus julgados nesta quinta. Em versão já apresentada por parte dos seis réus, segundo o promotor, José Edson estaria seguindo um empresário e depois, ao perdê-lo, acabou optando por sequestrar a primeira pessoa que passasse em um carro importado. Ivan foi apontado por parte do grupo como responsável por fazer uma ligação dizendo a José Edson para livrar-se da “bomba”. Ele teria descoberto que se tratava do prefeito de Santo André. “Não existiu nenhum contato entre Ivan e José Edson”, afirmou Márcio Augusto.

Alegação dos réus

O juiz Antonio Augusto Hristov ouviu primeiro Monstro, que disse não ter relação com o crime. "Não tenho nada a ver. Vocês estão querendo culpar pessoas inocentes”, disse Monstro em seu depoimento. Em seguida, José Edson falou que conheceu os outros réus na prisão. Disse ainda que, logo após o crime, sofreu agressões no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e tortura, como choques na boca e nos pés. Já Rodolfo disse que conhecia Ivan apenas de vista, e que, na noite dos fatos, provavelmente estaria trabalhando em sua função, de borracheiro.

Questionado pelo advogado de defesa, ele explorou a versão de que foi pendurado por policiais e que recebeu choques na região genital e no ânus. Ivan e Rodolfo citaram o nome do ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh como presença nos interrogatórios. Ivan afirmou que sofreu ameaça e Rodolfo disse que levou um tapa do ex-deputado, também militante dos direitos humanos.

Tanto o ex-deputado quanto a polícia de São Paulo divulgaram notas nesta tarde desmentindo a versão dos acusados.

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