MENU

Júri define nesta quarta destino de ex-jogador acusado de homicídio

Júri define nesta quarta destino de ex-jogador acusado de homicídio

Atualizado: Quarta-feira, 7 Dezembro de 2011 as 8:13

O destino do ex-jogador de futebol Janken Ferraz Evangelista, de 30 anos, acusado de matar em março de 2009 a ex-mulher, será definido nesta quarta-feira (7). O julgamento, iniciado na segunda (5) e retomado nesta terça (6), foi suspenso por volta das 23h após três testemunhas da defesa e o réu serem ouvidos no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo.

Janken afirmou que a relação que tinha com a vítima, Ana Cláudia Melo da Silva, de 18 anos, era conturbada. Segundo ele, desde o início do namoro a jovem perdia a calma facilmente e em algumas ocasiões chegou a agredi-lo verbal e fisicamente. “Para ela ficar tranquila eu tinha que fazer todas as vontades dela”, disse.

Questionado pelo juiz Marcelo Augusto Oliveira sobre o que ocorreu no dia em que a ex-mulher morreu, o ex-jogador contou que a briga começou quando ele a questionou sobre uma mensagem em seu celular. Naquele dia, Janken, a vítima, o filho do casal, então com um pouco mais de 1 ano e 6 meses, e uma amiga haviam ido a um jogo entre Santos e Corinthians no Estádio do Pacaembu, na Zona Oeste da cidade. Depois da partida, o casal e a criança seguiram ao apartamento onde Ana Cláudia morava, na Zona Sul. Após colocar o filho para dormir, Janken disse que ouviu a ex-mulher reclamar com alguém pelo celular sobre o fato de o ex-marido ter ido com o filho ao jogo. Irritado, ele tomou o telefone e leu uma mensagem de um jogador de futebol na qual marcava um encontro íntimo. “Quando eu disse que ia ler essa mensagem para o irmão dela e mostrar quem ela realmente era, ela se descontrolou.”

Segundo Janken, Ana Cláudia avançou em sua direção com uma faca. Os dois caíram e depois de lutar, ele a esfaqueou 14 vezes.

A defesa do jogador vai pedir sua condenação por crime de legítima defesa com excessos, que prevê pena máxima de 12 anos de prisão. O Ministério Público, por sua vez, irá pedir por homicídio triplamente qualificado, que prevê pena de 30 anos de cadeia. “Ele agiu em legítima defesa. Se ela [Ana Cláudia] não tivesse pego a faca, nada teria acontecido”, disse o advogado Mauro Nacif.

Já a acusação afirma que o ex-jogador agiu por motivo torpe, sem dar chance à vítima. “Ele tem que ser condenado pela barbaridade que fez”, disse o promotor Marcelo Rovere. Além do assassinato, o MP quer que ele responda por furtar o celular da vítima e por subtração de incapaz, por ter levado o filho depois do crime. Nesta terça, Janken se defendeu das outras acusações. “O celular era meu. Eu tinha emprestado para ela. Já a criança eu não tinha com quem deixar.”

Depoimentos

Além de Janken, depuseram nesta terça sua mãe, a dona de casa Demivalda Ferraz da Silva, a babá que cuidou do filho do casal e um conselheiro tutelar.

Demivalva reforçou o que Janken sustentou: que o filho e a vítima tinham um relacionamento conturbado. “Quando ela queria provocar Janken, ela maltratava o filho”, disse. Ela disse que mantinha um bom relacionamento com Ana Cláudia, mas disse ter presenciado agressões físicas e verbais contra o rapaz. “Ela avançou nele no pescoço”, declarou. Ainda segundo Demivalda, a vítima chegou a ameaçar pegar uma faca para agredir o ex-jogador e o chamava de “macaco”.

A babá que cuidou do filho do casal por quatro meses, enquanto eles moravam na cidade de Teixeira de Freitas, na Bahia, Alexssandra Silva da Costa, disse que também viu a vítima ofender o ex-jogador com palavras racistas e tentar agredi-lo utilizando uma tesoura um pouco maior que uma caneta. De acordo com a Alexssandra, o jogador não costumava retrucar as ofensas e apenas tentou se defender nas vezes em que ela presenciou as brigas.

A terceira testemunha de defesa foi o conselheiro tutelar Leonildo Feitosa da Silva, de 32 anos, que na época da separação acompanhou o casal. Ele afirmou que soube de agressões físicas de Ana Cláudia contra o ex-jogador e que o conselho tutelar teria encaminhado Ana Cláudia, na época menor de idade, para acompanhamento psicológico.

Segundo Silva, ela demonstrava ser bastante agressiva e teria ameaçado uma das conselheiras que acompanhavam o caso. Ele também disse ter ouvido Ana Cláudia usar palavras racistas para ofender o jogador. Silva assegura que o laudo produzido na época em que acompanhou a família é “idôneo e imparcial” e não teve influência da família do jogador, como teria sido cogitado por outras testemunhas anteriormente.

De acordo com o conselheiro, por questões estéticas, Ana Cláudia não amamentava o filho. Segundo ele, o bebê teria direito de ser amamentado até seis meses. A mãe do jogador e o conselheiro tutelar afirmaram que Ana Cláudia alegava ter sido vítima de violência sexual da parte de um parente próximo em São Paulo, o que poderia ter contribuído para ela tivesse alguns distúrbios psicológicos. Nesta quarta haverá o debate entre a defesa e a acusação, além da leitura da sentença.

Prisão

Janken foi preso três dias depois do crime pela polícia da Bahia, em uma estrada de acesso a Minas Gerais. Ele estava escondido em Belo Horizonte e se entregou depois de negociação entre a polícia e a mãe dele.

Logo após a prisão, o acusado disse que a morte da ex-companheira havia sido um acidente. “Não era para ter acontecido. Era a mãe do meu filho. Foi um acidente que aconteceu, não tem nada a ver”, declarou em 2009.

Imagens do circuito interno do prédio mostraram a jovem, o filho e o ex-marido após a volta do jogo. Quarenta minutos depois, mais um registro. O suspeito apareceu abotoando a camisa que havia acabado de trocar. E, dessa vez, está só com o filho, sem Ana Cláudia. Um vizinho, que ouviu uma discussão entre o casal, chamou o porteiro, que entrou no apartamento e encontrou a jovem morta.      

veja também