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Justiça decreta prisão preventiva de suspeito da Oscar Freire

Justiça decreta prisão preventiva de suspeito da Oscar Freire

Atualizado: Terça-feira, 27 Setembro de 2011 as 1:45

A Justiça de São Paulo decretou na segunda-feira (26) a prisão preventiva de Lucas Rosseti, de 21 anos, suspeito de matar a facadas o analista de sistemas Eugênio Bozola, de 52 anos, e o modelo Murilo Rezende, de 21, dentro de um apartamento na Rua Oscar Freire, nos Jardins, na capital paulista, em agosto. A informação foi confirmada ao G1 nesta terça-feira (27) pelo delegado Maurício Guimarães Soares, da Divisão de Homicídios do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de SP.

Segundo ele, o DHPP concluiu o inquérito da Oscar Freire no início desta semana, indiciando Rosseti por latrocínio (roubo seguido de morte) e pedindo a conversão da sua prisão temporária para preventiva. O caso foi encaminhado ao Ministério Público, que, segundo o delegado, concordou com o novo pedido de prisão e o encaminhou à Justiça, que a decretou.

“Lucas matou as vítimas, as roubou e havia fugido. Não houve legítima defesa no entendimento da polícia. O mesmo entendimento é do Ministério Público e da Justiça, que aceitou o pedido da polícia e a concordância da Promotoria pela prisão preventiva”, disse o delegado Soares, do DHPP. Agora, Rosseti ficará preso até um eventual julgamento.   De acordo com Soares, Rosseti será transferido da carceragem do 77º Distrito Policial, em Santa Cecília, no Centro de São Paulo, para uma unidade prisional da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).

Os corpos do analista e do modelo haviam sido encontrados em 23 de agosto. Após o crime, Rosseti fugiu no carro de Bozola para Sertãozinho, interior de São Paulo. O veículo foi achado abandonado em 28 do mês passado. O jovem foi preso pela polícia no dia seguinte.

  Segundo haviam dito no início de setembro os advogados de Rosseti, Frederico Borges, Leonardo Borges e Cesar Augusto Moreira, seu cliente alega legítima defesa para ter matado Bozola. A declaração consta em seu depoimento à Polícia Civil. O jovem também negou ter assassinado Rezende, que, segundo o suspeito, foi morto pelo analista.

O G1 não conseguiu localizar os advogados do acusado nesta terça para comentarem o assunto.

“Eu não tinha motivo algum para matar aquelas pessoas. Se eu tirei a vida de uma pessoa, foi para proteger a minha. Gostaria de deixar claro para a família do Murilo. Peço que não me encarem como um assassino e que não sintam ódio de mim, pois assim como Murilo, eu só sou um jovem cheio de sonhos que nunca causaria um mal desses a ninguém”, escreveu Rosseti em carta obtida pelo G1 no início de setembro.

Em outro trecho da carta, o jovem afirmava que “queria estar morto no lugar daquelas pessoas”, se referindo ao analista e ao modelo. Ele ainda dizia que nunca teve nenhum relacionamento homossexual com Bozola e Rezende. Segundo testemunhas ouvidas pela polícia, o analista era gay.

Ainda segundo o documento obtido pelo G1 , Rosseti dizia que sua vinda a São Paulo foi “totalmente profissional”. Ele escreve que Bozola prometeu ajudá-lo nisso e, por esse motivo, deixou Igaravapa, no interior de SP, para ir até a capital paulista, onde ficou hospedado no apartamento do analista.

Reconstituição

A Polícia Técnico-Científica de São Paulo realizou a reconstituição do crime da Oscar Freire também em setembro.

Para o DHHP, Rosseti matou Bozola e Rezende por causa de uma discussão envolvendo o tempo de permanência dele no apartamento do analista. Assim como o modelo, o jovem estava hospedado no imóvel e teria se recusado a sair após uma semana. A família dela mora em Igarapava, interior de São Paulo. Para a polícia, Rosseti teria dopado as vítimas antes de esfaqueá-las.

Contra Rosseti, a investigação possui imagens de câmeras de segurança que mostram o jovem com as vítimas numa pizzaria e numa boate gay da capital paulista.

Os laudos do Instituto Médico-Legal (IML) vão apontar se as vítimas foram dopadas.

Rosseti terminou a carta pedindo desculpas a sua família e às pessoas que "gostam" dele. "Peço que toda sociedade reveja os acontecimentos e procurem saber quem eu realmente sou, apenas mais um jovem sonhador, uma pessoa de bem", escreve o suspeito. "Tenho muitas esperanças de que tudo vai ficar bem. Que Deus nos ampare sempre".          

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