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Justiça do Rio adia julgamento da Viúva Negra para agosto

Justiça do Rio adia julgamento da Viúva Negra para agosto

Atualizado: Segunda-feira, 25 Julho de 2011 as 5:27

O juiz Fabio Uchoa Pinto de Miranda Montenegro, do I Tribunal do Júri da Capital, remarcou para 26 de agosto o julgamento de Heloísa Borba Gonçalves, a Viúva Negra . De acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), como a acusada não compareceu ao júri marcado para esta segunda-feira (25), o magistrado atendeu aos pedidos do Ministério Público e da defesa para que fosse efetuada a intimação da ré por meio de edital, com prazo de 15 dias. Embora não considere imprescindível para o julgamento, que poderia ser realizado à revelia da acusada, o juiz concordou para evitar futura tentativa de nulidade.

A Viúva Negra é acusada pela morte de seu marido Jorge Ribeiro, assassinado em 19 de fevereiro de 1992, em seu escritório, em Copacabana, Zona Sul do Rio. O MP a denunciou pela prática de homicídio doloso, duplamente qualificado (art. 121, §2º, I e III, na forma do art. 29 e art. 61, II ‘e”, todos do Código Penal). Heloisa Gonçalves teve sentença de pronúncia em 25 de agosto de 2005 e, embora intimada pessoalmente deste ato processual, desde essa data ela vem se esquivando da Justiça, ainda segundo o TJ-RJ.

Disque-Denúncia

A recompensa oferecida por informações que leve à captura da Viúva Negra passou de R$ 2 mil para R$ 11 mil , em abril deste ano. O Disque-Denúncia já recebeu cerca de 45 ligações sobre o possível paradeiro de Heloísa.

Ela ficou conhecida como “Viúva Negra” graças aos vários crimes de que é acusada: quatro homicídios e duas tentativas de homicídio, alguns contra homens com os quais era casada. A viúva negra é uma espécie de aranha cuja fêmea mata o macho após a cópula. A advogada já assinou também como Heloísa Saad e Heloísa Borba Gonçalves.

Segundo o Disque-Denúncia, a advogada foi condenada a mais de 19 anos de prisão pela 19ª Vara Criminal. A recompensa aumentou, segundo a central, devido à falta de informações e da periculosidade da criminosa.

Prêmio por informações que levem à prisão da 

Viúva Negra subiu para R$ 11 mil

(Foto: Divulgação / Disque-Denúncia)

  Quem tiver qualquer informação que auxilie nas investigações pode ligar para o Disque-Denúncia através do telefone (21) 2253-1177. O serviço funciona 24 horas e garante o anonimato.

Maridos e namorados eram alvos

Em uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe negou um pedido de habeas corpus ano passado, está o resumo do histórico de crimes da advogada já registrados na Justiça. Ela foi denunciada pela morte de Jorge Ribeiro, um dos maridos; é a principal suspeita da morte tanto do ex-namorado Wargih Murad, que descobriu seu passado suspeito, e do pedreiro que o acompanhava na ocasião; é acusada ainda de tentar matar o filho de Wargih, Elie Murad, e de mandar matar o detetive por ele contratado para investigar a morte do pai, Luiz Marques da Mota.

Ainda de acordo com o STF, Heloísa teve um marido, Irineu Duque Soares, assassinado em 1983, em Magé, meses depois de ter se casado com ela, com pacto nupcial de comunhão total de bens. Na época, após seu depoimento à delegacia, o crime foi registrado como latrocínio.

O documento afirma ainda que um de seus companheiros e pai de alguns de seus filhos, Carlos Pinto da Silva, chegou a ser denunciado por crimes patrimoniais junto com Heloísa e acabou sofrendo uma tentativa de homicídio durante uma viagem com ela a Salvador. Na época, ele chegou a acusá-la de ser a responsável pelos tiros que o atingiram. A Viúva Negra já foi denunciada também por fraude do INSS.

Bígama, tentou registrar o mesmo filho com dois pais

Heloísa já foi condenada por bigamia. Quando era casada com o militar Jorge Ribeiro, casou-se, ao mesmo tempo, com o comerciante aposentado Nicolau Saad, que morreu pouco tempo depois. Com idade avançada, sua morte foi tida como natural. Ela passou, então, a usar uma antiga procuração do marido para transferir imóveis do falecido e acabou condenada por falsidade ideológica.

Enquanto mantinha os dois relacionamentos, Heloísa engravidou e, segundo o Tribunal de Justiça do Rio, induziu os dois a registrarem a criança. Em 1992, Jorge Ribeiro foi assassinado a pauladas, com as mãos amarradas, em uma sala comercial de propriedade dele, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Heloísa, que estava separada de Ribeiro, é acusada de ser a mandante, ajudar na execução do crime e facilitar a fuga do assassino. O motivo do assassinato seria os bens da vítima.          

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