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Justiça nega pedido de merendeira suspeita de envenenamento no RS

Justiça nega pedido de merendeira suspeita de envenenamento no RS

Atualizado: Segunda-feira, 8 Agosto de 2011 as 2:01

A Justiça do Rio Grande do Sul negou suspender o decreto de prisão contra a merendeira Wanusi Mendes Machado, 23, considerada foragida sob suspeita de envenenamento de alunos, professores e funcionários de uma escola gaúcha. A decisão é deste domingo (7), segundo o Tribunal de Justiça.

A prisão preventiva de Wanusi foi decretada pela Justiça no final da noite de sexta. Segundo a Polícia Civil de Porto Alegre, o pedido de prisão foi feito depois que a merendeira confessou, em depoimento na quinta (4), ter misturado veneno para rato na comida.

Ao G1, o advogado da merendeira afirmou neste sábado (6) que ela também foi envenenada e não confessou ter colocado veneno de rato encontrado na comida da Escola Estadual Doutor Pacheco Prates, conforme divulgou a Polícia de Porto Alegre.

“Ela jura que não cometeu nenhum crime”, afirma o advogado Leandro Pereira, que representa Wanusi. “A alegação dela é que esse depoimento foi forjado, porque ela é pobre e negra. Ela disse que não confessou nada, que é perseguição e que ela assinou o depoimento sob coação, porque o delegado disse que, se não assinasse, ela nunca mais veria o filho de três anos e iria ser trancada em uma cela”, afirma.     Segundo o delegado responsável pelo caso, Cléber de Santos Lima, a merendeira disse que não sabia o motivo de ter envenenado a refeição, que não tinha planejado, e nem pretendia matar ninguém. “Esse argumento da defesa é antigo e completamente em desuso. Ela confessou para a polícia e para a imprensa, disse que comeu o veneno. Mas que não sabia o motivo. Na minha opinião é uma pessoa mentalmente perturbada”, disse.

Ainda conforme o delegado, a merendeira já tentou cometer suicídio, foi dispensada de outra escola por comportamentos estranhos e, segundo depoimentos dos outros funcionários, ficou sozinha na cozinha onde a comida foi envenenada por cerca de uma hora.

Estrogonofe foi servido para alunos e professores;

polícia encontrou pacotes vazios de veneno de rato

(Foto: Polícia Civil/Divulgação)

  O advogado da merendeira entrou no fim de semana com pedido de revogação da prisão preventiva e afirmou que a cliente somente irá se apresentar quando o Tribunal de Justiça relaxar o decreto de prisão.

“Eu tenho um atestado que comprova que ela também foi envenenada e que foi atendida no mesmo pronto socorro para onde todos foram levados. Ela não deu entrevista sobre nenhuma confissão. Eu a conheço desde a adolescência, é uma pessoa centrada, não tem nenhum desequilíbro. Ela não é cozinheira. Estamos diante de uma grande injustiça”, completou.

Duas equipes de investigação da Delegacia de Homicídios trabalham na captura da merendeira. Ao todo, 39 pessoas comeram a refeição envenenada. Elas foram atendidas em postos de saúde de Porto Alegre, com sintomas de náusea, dores de barriga e na cabeça.          

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