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Lanzetta diz que "guerra" interna do PT fez vazar oferta de dossiê

Lanzetta diz que "guerra" interna do PT fez vazar oferta de dossiê

Atualizado: Terça-feira, 8 Junho de 2010 as 7:28

Ex-integrante da campanha da presidenciável Dilma Rousseff (PT), o jornalista e consultor Luiz Lanzetta disse nesta segunda-feira (7), em entrevista ao G1, que o vazamento do episódio envolvendo a suposta oferta de dossiê e de serviços de espionagem contra o pré-candidato José Serra (PSDB) foi resultado de uma disputa de poder no comando da campanha petista.

Lanzetta é dono da Lanza, empresa contratada para cuidar da área de comunicação da campanha de Dilma, mas, segundo o presidente do PT, José Eduardo Dutra, nem a empresa nem Lanzetta tinha poder de decisão sobre os rumos da campanha.

De acordo com o jornalista, a proposta de elaboração de um dossiê foi apresentada a ele pelo delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Souza durante um encontro no restaurante Fritz, em Brasília, no dia 20 de abril (veja um infográfico explicativo ao final desta reportagem). O jornalista afirmou que apenas ouviu a oferta e a recusou de imediato. ''Não houve dinheiro, não houve espionagem, não fizemos nada. O que houve foi um oferecimento (de dossiê) que foi recusado'', disse.

Lanzetta afirmou que a disputa de poder no comando da campanha de Dilma envolvia um grupo integrante do governo da ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (2001-2004) e o grupo comandado pelo ex-prefeito de Belo Horizonte (MG) Fernando Pimentel, um dos coordenadores da campanha petista. Lanzetta afirma que o grupo adversário de Pimentel ''queria entrar na campanha de Dilma a qualquer preço''. Questionado sobre quem integrava esse grupo, ele não quis citar nomes.

Desde o final de maio, quando reportagens foram publicadas descrevendo o que teria acontecido no encontro realizado no restaurante, o comando do PT tem dito que ninguém da coordenação da campanha participou do episódio. A negociação com o delegado aposentado teria sido obra do jornalista, sem o conhecimento da campanha petista, disse o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra.

''O grupo do PT que integrou o governo da Marta (em São Paulo) quer entrar na campanha da Dilma a qualquer preço. Fui a primeira barreira dessa guerra (interna do PT) e sofri as consequências. Conseguiram me derrubar da campanha. Mas não vão conseguir o que querem. Eu tô limpo. Minha empresa está limpa. Não tenho medo de nada nem de ninguém'', avisou.

Sobre a suposta participação de Pimentel no episódio, Lanzetta negou o envolvimento do ex-prefeito. ''O Pimentel não estava na reunião. Ele não sabe de nada. Tudo foi feito para pegar o Pimentel. Esse grupo de petistas que estava no governo da Marta - ela não, porque ela se livrou deles - quer correr com todo mundo da campanha''.

Em entrevista à TV Globo nesta segunda (7), Lanzetta afirmou que não trocou telefonemas com Onézimo e que conversou com ele apenas no encontro no restaurante. Lanzetta disse que não se importaria de mostrar suas contas telefônicas para provar que não tinha contato com o delegado aposentado.

Em entrevista publicada na revista ''Veja'' no último final de semana, no entanto, o delegado disse que a proposta para montar um dossiê e espionar possíveis traidores dentro da campanha petista e o pré-candidato do PSDB, José Serra, teria partido de Lanzetta. ''Fui convidado para um encontro com Fernando Pimentel. Chegando lá no restaurante, estava o Luiz Lanzetta, que eu não conhecia, mas que se apresentou como representante do prefeito", disse Onézimo.

Ao Jornal Nacional desta segunda-feira (7), Lanzetta afirmou que não tinha ligação com o delegado aposentado. ''Eu não tenho nada, nenhuma ligação. Eu não conversei com ele nem antes nem depois daquele momento. Eu fugi do Onézimo, eu fui embora da reunião, fiquei assustado com o cara, não queria falar com ele. Queria estar longe daquele cara. Senti um negócio estranho'', declarou.

Acareação

Disposto a provar sua versão dos fatos, o jornalista disse que quer participar de uma acareação com Onézimo para explicitar o que teria sido tratado na reunião realizada no final de abril, em um restaurante de Brasília, quando a suposta estratégia de espionagem teria sido discutida.

Afastado da campanha petista depois do episódio, Lanzetta afirma ter saído por conta própria. ''Não fui demitido. Eu saí''. O jornalista afirma ter arcado com o preço de ter ''entrado no jogo'' de interesses eleitorais. ''Não quero me colocar como vítima. Só um idiota não sabe o que pode acontecer quando se entra em um jogo desses. Eu joguei pesado e sabia que teria um preço. A reação foi forte. Não sou ingênuo, não estou surpreendido (com o que está acontecendo)'', disse, sobre a possibilidade de ser acusado de envolvimento com irregularidades.

Nesta segunda (7), o PT interpelou judicialmente o pré-candidato Serra, que havia responsabilizado Dilma pela montagem do suposto dossiê. Serra considerou a interpelação um ''factoide''.

Por Robson Bonin

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