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Lei antifumo já dificulta emprego para fumante

Lei antifumo já dificulta emprego para fumante

Atualizado: Segunda-feira, 31 Agosto de 2009 as 12

Empresas de RH admitem que, se houver duas pessoas disputando uma vaga e uma delas for fumante, esta será certamente preterida. A nova tendência ganhou força no mercado depois que restrição ao cigarro entrou em vigor

Menos de um mês após a lei antifumo entrar em vigor, empresas já admitem priorizar o não fumante em relação ao tabagista na hora da contratação. A quebra do ritmo de trabalho é uma das principais justificativas. Segundo cálculos de empresas de recursos humanos, um fumante pode perder até 20 minutos se trabalhar em um edifício de seis andares para descer para fumar e subir.

Desde o dia 7 de agosto, o cigarro está proibido em ambientes fechados e de uso coletivo em todo o Estado. Os fumódromos também estão vetados, o que causa esse deslocamento dos trabalhadores, que buscam áreas abertas para fumar. "A partir de agora, realmente se tornou uma tendência as empresas optarem pela contratação de quem não fuma", afirma Ralph Arcanjo Chelotti, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH).

Isabel Macarenco, professora e especialista em recursos humanos da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), afirma que essa orientação é explícita. "Em processos de seleção, a gente percebe que já há uma recomendação para não contratar fumantes. O pedido é feito, sim. Mas não damos essa orientação para as empresas, pois podemos ser preconceituosos", diz. As companhias confirmam. "Se houver duas pessoas tentando uma vaga e uma delas for fumante, certamente será preterida", afirma Aderbal Nogueira, gerente da Nutrin, empresa de alimentação.

Para Isabel, o ideal seria as empresas investirem em campanhas de conscientização para os funcionários pararem de fumar. "Mas, no fundo, a decisão é do fumante: ele reduz o consumo do tabaco ou para de fumar. Essa descidinha realmente está comprometendo." Segundo ela, antes da nova lei, os não fumantes já diziam que trabalhavam mais do que quem fuma, pois esses últimos sempre tinham a hora de ir ao fumódromo.

Apesar disso, Chelotti, da ABRH, afirma que, dependendo do setor de atuação do profissional, o cigarro não compromete a produção. "O tempo que ele gasta para fumar não significa que ele não vá cumprir sua meta. Por isso, prefiro trabalhar de forma educativa. Mostrar que a qualidade de vida tem de prevalecer. Não posso perder pessoas talentosas por causa do cigarro", argumenta. Ele diz que os funcionários fumantes têm um custo a mais para as empresas, por causa dos problemas de saúde causados pelo cigarro e pelas campanhas voltadas para eles. Chelotti afirma ainda que os fumantes estão evitando o cigarro no trabalho.

Demissão

Quem for demitido com a justificativa de ser fumante pode mover uma ação por danos morais contra o antigo empregador. "O fato de o profissional ser viciado em tabaco não deve ser motivo para justificar uma demissão. Ele não pode ser dispensado, com uma carreira estabilizada, por conta disso", afirma o advogado Luiz Antônio Guimarães de Paiva, especialista em causas trabalhistas. Sobre o fato de as empresas priorizarem quem não fuma, Paiva destaca que elas "têm o livre arbítrio de contratar o profissional que preencha o perfil procurado".

Postado por: Felipe Pinheiro

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