Lendas urbanas tentam explicar enchente em São Luiz do Paraitinga

Lendas urbanas tentam explicar enchente em São Luiz do Paraitinga

Atualizado: Terça-feira, 18 Maio de 2010 as 8:34

Quase seis meses após a enchente que arrasou São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, moradores da cidade alimentam lendas urbanas que tentam explicar a tragédia como castigo dos céus ou obra de forças do mal. Na virada do ano, a água do Rio Paraitinga subiu mais de dez metros e alagou o centro histórico da cidade. Duas igrejas e 84 casarões centenários foram arrastados pelas águas.

''Uma amiga minha tirou uma foto com máquina digital da igreja na hora da inundação. Dava para ver nitidamente. Tinha um monstro saindo de dentro da igreja, em cima da água'', conta o servidor público que pede para ser identificado apenas como JF. ''É tenebroso. É um ser transparente'', diz a dona de casa Sebastiana Corrêa dos Santos, que também garante ter visto a imagem. ''Isso é igual a cabeça de bacalhau. Todo mundo sabe que tem, mas ninguém prova'', afirma o vendedor de pastéis Eric Nonato.

O servidor público Luciano Frade e sua amiga Rosienny da Silva Rangel riem das lendas contadas pelos amigos - todos são integrantes de um grupo musical católico -, mas afirmam que elas são correntes na cidade. Um dos boatos, segundo eles, provocou até uma manifestação do padre, no sentido de tranquilizar os fiéis. ''A moça que tirou a foto, ela não vende e não deixa ninguém ver por dinheiro nenhum'', diz Frade.

Segundo essa lenda que provocou a manifestação do padre, São Luiz do Paraitinga foi punida porque no dia anterior à enchente programava uma marchinha de carnaval fora de época. Em vez do violão, um dos bonecos usados no carnaval apareceu após a enchente com uma cruz na mão, diz o pasteleiro Eric.

''Foi uma punição, porque religião o pessoal não procura, mas se fosse carnaval estava todo mundo dentro'', afirma. Sebastiana acha que a cidade foi punida por causa da ganância de alguns que ganhavam fortuna com aluguel de casas em tempos de festa e por causa do mal comportamento sexual dos fioliões. ''A cidade fica um aperto só. No carnaval, a gente tem de andar que nem lagartixa, grudada nas paredes, porque senão eles apertam a gente.''

Outra lenda corrente na cidade é a de um mendigo desconhecido que perambulou pelo centro histórico no dia anterior à enchente e que nunca mais foi visto. A postura indiferente dos moradores em relação ao pedinte provocou a ira dos céus, segundo o conto.

''Tinha um mendigo que andava pela cidade ao lado de um cachorro. Todo mundo acha que ele foi sinal de que aconteceria alguma coisa'', diz JF. ''Todos falaram do mendigo'', completa a dona de casa Sebastiana.

Por Roney Domingos

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