Líder comunitário nega envolvimento com traficantes do Rio, diz polícia

Líder comunitário nega envolvimento com traficantes do Rio, diz polícia

Atualizado: Sexta-feira, 27 Agosto de 2010 as 8:37

O presidente da associação de moradores de Barcelos, na Rocinha, na Zona Sul do Rio, Vanderlan Barros , o Feijão, que ajudou na negociação da rendição dos suspeitos de invadir o Hotel Intercontinental , prestou depoimento nesta quinta-feira (26), na 15ª DP (Gávea). De acordo com a Polícia Civil, ele negou envolvimento com traficantes.

Segundo os agentes, Feijão já responde em liberdade por associação ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Ele foi indentificado após a polícia analisar imagens das câmeras de segurança do hotel, de um condomínio da Avenida Aquarela do Brasil e vídeos feitos por moradores .

A polícia informou, ainda, que Feijão aparece numa das imagens tentando arrancar um plástico, possivelmente da placa de uma moto amarela numa rua lateral ao hotel. Feijão afirmou que era outra moto, e que não estava envolvido no tiroteio. Ainda de acordo com a polícia, uma outra moto, que teria sido usada pelos criminosos, foi apreendida.

Na manhã de sábado (21), os criminosos invadiram o Hotel Intercontinental, que fica em São Conrado, na Zona Sul da cidade, e trocaram tiros com policiais militares . Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública, cerca de 50 homens estavam na ação que fez 35 pessoas reféns . Na ocasião, nove homens foram presos e um menor, detido.

No mesmo dia, os policiais prenderam outro suspeito, após ser localizado em hospital da Penha, na Zona Norte, horas após o confronto. Já na quarta-feira (25), mais um suspeito foi encontrado em um hospital da cidade – dessa vez, no Souza Aguiar, no Centro, onde ele recebeu voz de prisão no leito da unidade em que está internado.

De acordo com a Secretaria estadual de Segurança Pública do Rio, a ação começou quando criminosos teriam deixado um baile funk no Vidigal, e se depararam com equipes da Polícia Militar na Avenida Aquarela do Brasil. Alguns criminosos conseguiram fugir e outros entraram no Hotel Intercontinental. Cinco das 35 pessoas feitas reféns eram hóspedes estrangeiros . Os homens se renderam após cerca de três horas de negociação.

Transferência de presos

Na noite de quarta-feira (25), dez presos suspeitos de participar do tiroteio e de invadir o Hotel Intercontinental foram transferidos para um presídio federal de segurança máxima , em Porto Velho, em Rondônia. O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com os detentos deixou a Base Aérea do Galeão, na Ilha do Governador, com uma hora e 45 minutos de atraso. A aeronave chegou por volta das 5h30 desta quinta-feira, em Porto Velho . O presídio para onde eles foram levados fica a 45 quilômetros da capital. A penitenciária foi inaugurada em 2009 e tem capacidade para 208 detentos. Atualmente, 136 cumprem pena na unidade.

A transferência foi marcada por uma operação sigilosa e com forte esquema de segurança. Por volta das 20h de quarta-feira (25) os traficantes que estavam no presídio de Bangu IV, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste, foram levados em comboio de 15 carros até a Base Aérea do Galeão. A escolta foi reforçada por 16 agentes penitenciários federais que vieram de Campo Grande (MS).

A transferência dos presos, que aconteceria na terça-feira (24), foi adiada, segundo a Secretaria estadual de Segurança Pública do Rio, por 'motivo burocrático' . Apesar de a Justiça do Rio ter autorizado a transferência na segunda-feira (23), até terça-feira a Justiça de Porto Velho ainda não havia autorizado o recebimento dos presos.

O pedido de transferência foi feito na segunda-feira pelo governador Sérgio Cabral ao presidente do TJ-RJ, desembargador Luiz Zveiter. Segundo o TJ-RJ, o governador conversou por telefone com o presidente do TJ-RJ, que estava no Vale do Paraíba.

Traficante Nem A polícia ainda tentar identificar outros criminosos que participaram do confronto no sábado (21). Há suspeita de que o traficante Nem, apontado como o chefe do tráfico da Rocinha e um dos homens mais procurados pela polícia, estivesse no comboio de criminosos durante a ação.

A Polícia Militar informou que não tem informações sobre a presença do traficante Nem no comboio de criminosos que saiu de um baile funk no Vidigal. Os investigadores já sabem por quem eram usados os fuzis apreendidos no hotel.

De acordo com comandante do 23º BPM, tenente-coronel Rogério Leitão, a PM descarta a possibilidade de que policiais do Grupamento de AçõesTáticas (GAT) teriam trocado tiros com criminosos no Vidigal, quando o comboio de suspeitos deixava o baile funk.

A versão foi dada na edição de segunda-feira do jornal O Globo. "Nossos policiais escaparam de ser chacinados, foram heróis. O policiamento está reforçado na região para dar tranquilidade aos moradores", contou.

Segundo o coronel, a PM vai estudar a possibilidade de premiar os primeiros agentes que enfrentaram os criminosos na manhã do último sábado.

Postado por: Thatiane de Souza

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