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Lindemberg só quer 'aliviar a barra dele', diz mãe de Eloá

Lindemberg só quer 'aliviar a barra dele', diz mãe de Eloá

Atualizado: Terça-feira, 14 Fevereiro de 2012 as 1:39

A mãe da estudante Eloá Pimentel, que morreu aos 15 anos em 2008, Ana Cristina Pimentel, disse nesta terça-feira que Lindemberg Alves Fernandes não demonstrou "arrependimento" pelo que fez - ele responde na Justiça pela morte da adolescente. Ana Cristina chegou a ser convocada pela defesa do réu para depor, mas foi dispensada quando entrou no plenário do Fórum de Santo André, no ABC paulista.

"Arrependimento não. Eu vi que ele quer, assim, limpar a barra dele. Foi o que ele passou, com o gesto que ele fez pra mim", afirmou a mãe de Eloá, que não quis repetir o gesto que Lindemberg teria feito.

Ana Cristina lamentou ter sido convocada pela defesa para depor, e classificou como desrespeitoso o fato de advogada Ana Lúcia Assad ter desistido de ouvi-la em cima da hora. "Eu achei que a advogada não devia ter me chamado, porque eu queria assistir tudo", lamentou, após o depoimento de seu filho mais novo, Everton Douglas, que era amigo de Lindemberg.

Por ter sido convocada como testemunha, a mãe da vítima não pôde assistir aos outros depoimentos. Ontem, os jurados ouviram os amigos de Eloá, Nayara Rodrigues, baleada no cárcere privado e Iago Vilela e Victor Lopes, mantidos reféns no primeiro dia do sequestro. O sargento da PM Atos Valeriano também falou ontem. Nesta terça, a Justiça ouviu os irmãos de Eloá: Ronickson e Everton Douglas, que falou por cerca de uma hora.

Dispensada como testemunha, Ana Cristina disse que acompanhará todo o julgamento, e afirmou que espera que ele seja condenado. Para ela, o jovem não "mudou nada" e, se pudesse voltar atrás, mataria Eloá. "Eu queria ver se ele tinha mudado em alguma coisa, mas estava do mesmo jeito. ... Ele faria de novo e faria isso com qualquer uma, se sair daqui", disse.

O mais longo cárcere de SP

A estudante Eloá Pimentel, 15 anos, morreu em 18 de outubro de 2008, um dia após ser baleada na cabeça e na virilha dentro de seu apartamento, em Santo André, na Grande São Paulo. Os tiros foram disparados quando policiais invadiam o imóvel para tentar libertar a jovem, que passou 101 horas refém do ex-namorado Lindemberg Alves Fernandes. Foi o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo.

Armado e inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg invadiu o local no dia 13 de outubro, rendendo Eloá e três colegas - Nayara Rodrigues da Silva, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira. Os dois adolescentes logo foram libertados pelo acusado. Nayara, por sua vez, chegou a deixar o cativeiro no dia 14, mas retornou ao imóvel dois dias depois para tentar negociar com Lindemberg. Entretanto, ao se aproximar do ex-namorado de sua amiga, Nayara foi rendida e voltou a ser feita refém.

Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17 a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg teve tempo de atirar contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto. A Justiça decidiu levá-lo a júri popular.

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