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Livro de Ruy Castro vira musical com Aldir Blanc e Carlos Lyra

Livro de Ruy Castro vira musical com Aldir Blanc e Carlos Lyra

Atualizado: Sexta-feira, 12 Março de 2010 as 12

"Neste país, que é puro e depravado,/ de morte e canto, de gozos e agonias,/ a verdade é que Momo, o rei safado,/ manda trezentos e sessenta e cinco dias!" Aldir Blanc escreveu e Carlos Lyra musicou.

Os dois levaram um ano até chegar às 19 canções inéditas que compõem o musical "Era no Tempo do Rei", adaptação do livro homônimo de Ruy Castro, que estreia amanhã, no teatro João Caetano, no Rio. "É a melhor coisa que ele fez desde a bossa nova", diz o escritor sobre o compositor Carlos Lyra. Parceiro de Vinicius de Moraes, ele, conta Ruy Castro, era acostumado a criar melodias que depois ganhavam letras assinadas pelo amigo. No musical, o caminho foi inverso.

"O Carlinhos se submeteu ao espírito da letra e do momento do espetáculo", diz o autor. Há 17 gêneros diferentes em duas horas de espetáculo, de marcha-rancho, valsa e vira a choro, sambinha, tango e maxixe.

Em família

"É um espetáculo cheio de brasilidade", avalia Heloisa Seixas. Escritora, casada com Castro há 20 anos, ela começou a adaptar "Era no Tempo do Rei" logo depois do lançamento, em 2007. Criou o roteiro em parceria com a filha, a jornalista Julia Romeu, com quem já havia trabalhado no musical "Carmen".

A história original se manteve: o musical, como o livro, narra as aventuras do menino Pedro, filho de Dom João 6º, que sai do palácio, vai às ruas no Rio e conhece Leonardo (personagem "emprestado" por Castro do livro "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida). Há, como pano de fundo, as intrigas da família real portuguesa no Brasil. "O que importa é que o espírito geral é o mesmo", diz o autor. "De comédia sensual, picaresca, lasciva. Bastante sexo, mas nunca grosso, com humor.

A família real sai dignificada, e os protagonistas cumprem o mesmo papel que no romance." Se o livro não tem narrador, o musical será alinhavado pelas descrições de Dona Maria, a Louca, vivida por Alice Borges.

Já a linguagem, mais coloquial nos diálogos do espetáculo que no livro, e as letras, construídas com o vasto vocabulário de Aldir Blanc, permitem "a dualidade do original, rebuscado e coloquial", segundo o escritor.

Embora opine agora, ele diz que ficou fora da adaptação. Sua mulher justifica: "Foi ótimo, pois o Ruy é uma presença dominadora, e nós tomamos muita liberdade".

Por: Aurdrey Furlaneto

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