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Lula define mudanças no governo com saída de ministros para eleições

Lula define mudanças no governo com saída de ministros para eleições

Atualizado: Terça-feira, 30 Março de 2010 as 12

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai dedicar boa parte de sua agenda nesta terça-feira, dia 30, para definir as últimas baixas de seus ministros que pretendem deixar o governo para disputar as eleições de outubro.

São esperadas pelo menos nove saídas, a principal é da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT à sucessão presidencial. A posse dos substitutos dos ministros-candidatos está prevista para quarta-feira.

A conversa mais esperada do presidente Lula para hoje é com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Filiado desde o ano passado ao PMDB, Meirelles chegou a ser cotado pelo próprio presidente Lula e por petistas para ocupar a vice na chapa presidencial de Dilma, que também deixa o governo nesta quarta-feira.

A indicação de Meirelles para a vice da petista não agrada o PMDB, que defende o nome do presidente da Câmara, Michel Temer (SP), para o posto.

Com as incertezas sobre seu futuro político, Meirelles pode ainda disputar uma vaga ao Senado por Goiás ou até mesmo decidir permanecer no cargo. Ontem, ao comentar a possível saída do presidente do Banco Central, Lula disse que "24 horas é um tempo infinito".

"Tem muito tempo ainda [para Meirelles resolver se deixa o BC]. Vinte e quatro horas para mim é um tempo infinito", disse Lula.

O presidente também tem encontro previsto com o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), que luta para conseguir aval do PT para ser o pré-candidato ao governo de Minas Gerais.

Nos bastidores, petistas e peemedebistas afirmam que o presidente Lula já garantiu sustentação para a campanha do ministro Hélio Costa (Comunicações), outro demissionário. Como é senador licenciado, Costa deve retomar a vaga de senador e fazer campanha ao mesmo tempo.

Na agenda de hoje, Lula ainda conversa com o ministro Pedro Brito (Portos), que avalia tentar uma vaga na Câmara dos Deputados, pelo PSB no Ceará.

Os encontros do presidente com os ministros demissionários foram agendados de última hora. Ele cancelou ontem a viagem que faria para Salgueiro, em Pernambuco, para visitar obras da Ferrovia Transnordestina e justificou a troca afirmando que a obra não estava pronta.

"Eu ia amanhã [hoje] para a Transnordestina, inaugurar a fábrica de dormentes, a maior do mundo, e a fábrica de brita. Sozinha, a usina de brita vai produzir mais brita que as 40 que têm em São Paulo. Não vamos porque não está pronta. Esse compromisso foi feito comigo em janeiro. E não está pronta", disse.

Devem deixar o governo de olho nas eleições os ministros Geddel Vieira (Integração Nacional), Alfredo Nascimento (Transportes), Reinhold Stephanes (Agricultura), José Pimentel (Previdência), Carlos Minc (Meio Ambiente) e Edison Lobão (Minas e Energia).

A legislação eleitoral obriga ocupantes de cargos no Executivo a deixarem suas funções até o dia 3 de abril se forem disputar as urnas em outubro. Além de Dilma, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), também se despede do comando do Estado na próxima semana para dedicar-se à campanha à Presidência da República.

Por: Márcio Falcão

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