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Lula manterá Tuma Jr. em cargo se não surgir fato novo

Lula manterá Tuma Jr. em cargo se não surgir fato novo

Atualizado: Sexta-feira, 7 Maio de 2010 as 11:37

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá manter Romeu Tuma Jr. no cargo de secretário nacional de Justiça. Nas palavras de um ministro, só um ''fato novo'' poderia levar Lula a demiti-lo.

Investigação da Polícia Federal obteve gravações telefônicas e troca de e-mails entre Tuma Jr. e Li Kwok Kwen, o Paulo Li, que foi preso em 2009 sob acusação de contrabando.

Nas gravações, Tuma Jr., que também é presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, trata da compra de um celular, de videogame e até de regularização da situação de chineses que viviam clandestinamente em São Paulo. Embora tenha sido flagrado nos grampos da PF, o secretário não foi alvo do inquérito.

Na visão presidencial, não há nessa investigação uma ilegalidade cometida por Tuma Jr., a quem o presidente considera ''um bom policial'', de acordo com um auxiliar direto.

Lula se considerou satisfeito com as explicações de Tuma Jr., oferecidas anteontem, quando o jornal ''O Estado de S. Paulo'' divulgou reportagem vinculando-o à máfia chinesa.

No entanto, o presidente pediu ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que buscasse mais informações. Até ontem, Barreto não obtivera, segundo a cúpula do governo, um dado que comprometesse Tuma Jr. Barreto confirmou ontem em Buenos Aires que fez à PF ''um pedido formal de informações'' sobre o caso, ''a fim de poder fazer uma avaliação mais precisa'', mas descartou afastar Tuma Jr. imediatamente.

A Folha apurou que o presidente deverá voltar a tratar do tema hoje com o ministro. Sem o tal ''fato novo'', a posição presidencial será manter Tuma Jr. Se surgir algo desabonador, o secretário perderá o cargo.

Um ministro disse que, no máximo, houve um pedido de favor de Paulo Li, mas não uma ilegalidade. Segundo ele, ficaram claras as relações de amizade da família Tuma com Li.

Sobre a prisão de Li em 2009 sob acusação de contrabando, um auxiliar direto do presidente diz que Tuma Jr. não pode ser demitido por ter trocado telefonema e pedido favores. O ex-ministro da Justiça Tarso Genro disse ontem, em Porto Alegre, que as gravações de conversas de Tuma Jr., ''se forem verdadeiras'', o ''inabilitam'' para o cargo.

''Piratas''

Por telefone, Tuma Jr. disse ontem conhecer Li há 30 anos e nunca ter comprado produtos piratas. Afirmou ter ficado surpreso quando Li foi preso.

''Nunca imaginei isso. Como vou cuidar ou saber o que meus amigos fazem? Muitas vezes não tenho condições de saber o que minha filha está fazendo.''

Li conheceu Tuma Jr. quando este ainda era adolescente. Eles trabalharam juntos - Li o assessorou na Assembleia de São Paulo quando o filho do senador Romeu Tuma (PTB-SP) era deputado estadual. ''Não há nada contra mim. Não cometi nenhum crime. Não fui nem sequer denunciado.''

Sobre a conversa em que trata com Li de mercadorias, o secretário, responsável no governo por combater a pirataria, disse não haver ilegalidade.

''Não há nada demais. Consultei algumas coisas com ele, coisas de amigo para amigo. Nem sei se existe esse videogame pirata. O videogame foi comprado e há nota''.

O secretário ocupa um dos cargos mais importantes do Ministério da Justiça.

A Secretaria Nacional de Justiça é responsável por assuntos que tratam da situação de estrangeiros, da repatriação de dinheiro de brasileiros bloqueado no exterior e da lavagem de dinheiro. Tuma Jr. garante que não deixa o cargo. ''Posso cometer erros, mas não crime. Ninguém está acima da Justiça.''

Por Kennedy Alencar / Fábio Amato / Lucas Ferraz

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