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Lula ofusca Cielo, arranca risos e dispara contra "azedos"

Lula ofusca Cielo, arranca risos e dispara contra "azedos"

Atualizado: Terça-feira, 22 Dezembro de 2009 as 12

Lula disse que falaria no improviso para ser mais rápido, mas o discurso realizado depois da entrega do Prêmio Brasil Olímpico, nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro, demorou cerca de 30 minutos. Aproveitou o tempo para relembrar as emoções vividas na campanha pela escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016, disparou contra os brasileiros ''azedos'' e mostrou qualidades de comediante para entreter a plateia.

Desta forma, tornou-se a maior atração de uma noite teoricamente reservada para o brilho dos atletas - e exaltação do Rio 2016. Mesmo antes de pegar o microfone, quando César Cielo e Sarah Menezes já haviam sido anunciados como vencedores do prêmio, o presidente era elogiado por cada dirigente, governante e atleta - com poucas exceções, como Cielo - principalmente por sua participação na campanha do Rio 2016.

Quando enfim iniciou o discurso mais esperado da noite, depois de ter recebido o Prêmio Celebridade Olímpica de 2009, passou a maior parte do tempo relembrando passagens ocorridas em Copenhague, em outubro, nos dias que antecederam a escolha do Rio de Janeiro como sede olímpica.

''Achava que eu já tinha vivido todas as emoções que um ser humano possa viver, porque já tinha sido eleito presidente, sido reeleito e tinha tido a emoção de muitos outros pronunciamentos. Nunca imaginei que fosse viver a emoção que vivi em Copenhague'', disse o presidente, que chegou ao evento cerca de uma hora e meia depois do início.

''A hora em que a menina pegou aquele envelope, aqueles 15 segundos dela andando, mais a lerdeza do cara que ia ler, parecia cartão de crédito vencido. Na hora que ele anunciou, eu descobri que nunca mais vou morrer de infarto porque se não morri naquela hora, não morrerei mais'', contou.

Lula ainda arrancou risos da plateia ao falar sobre as candidaturas derrotadas. ''Madri é muito bonita, todo mundo fala dos mouros. Tóquio tem imperador, a sabedoria milenar. Chicago é a terra do homem (Barack Obama, atual presidente dos Estados Unidos). Daí eu fiquei nervoso. E não é que no dia do pega para capar, no dia que tínhamos que mostrar a candidatura, desce o homem (Obama). Daí pensei mais uma vez 'vamos ficar no caminho, vai ser difícil''', disse.

''Mas na hora das apresentações, eu vi que o Rio estava mais Rio, mais coração, mais alma. Quando cheguei lá fiquei impressionado (com as pessoas que defendiam o Rio). Primeiro vi eles todos falando inglês, numa chiquesa... Eu até achei que estava sendo enganado. Cada um falava mais chique que o outro. Se vacilassem falavam mandarim. Eu estava visivelmente emocionado. Eu nunca falei tão emocionado. Quando acabou a apresentação do Rio de Janeiro eu falei: 'vamos ganhar, não tem para ninguém''', complementou.

Lula ainda disparou contra os brasileiros que só viam defeitos na candidatura carioca. ''Antes de embarcar, eu estava vendo um programa de esporte, e um cara falava que o Brasil não está preparado, tem violência, que tinha que investir em educação. Sabe aquele cara que tira o sapato, coloca do lado da cama, dorme, acorda e no dia seguinte diz que estava apertado? Tem um tipo de gente tão azeda, tão de mal da vida, que nada que o brasileiro faz está certo. Aquele que se trata como se fosse uma segunda classe. Aquilo mexeu com meus brios. Sou nordestino e tinhoso'', disse.

''O Brasil tem condições de fazer uma Olimpíada. Somos a oitava economia do mundo. A gente chegava ''pequeno'' antes. O brasileiro é muito subserviente, já chega com cabeça baixa. Nós temos que provar que temos capacidade e temos que ganhar com a alma. Só não vou dizer palavrão porque no Brasil só humorista pode dizer, político não'', completou o presidente, que em um discurso recente disse que iria tirar os brasileiros ''da merda''.

Diante de um cenário perfeito para seu discurso, com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes, ajudando nos pedidos à plateia, Lula foi aplaudido em muitas ocasiões e, no momento que foi chamado ao palco, até uma musiquinha (olê, olê ôlá. Lula, Lula) em sua homenagem foi cantada. Acabou como estrela em uma noite em que César Cielo, recordista mundial dos 50 m e 100 m da natação, era para reinar soberano.

Por Mariana Canedo

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