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Lula quebra protocolo e improvisa como fotógrafo em Teerã

Lula quebra protocolo e improvisa como fotógrafo em Teerã

Atualizado: Segunda-feira, 17 Maio de 2010 as 2:16

Aliviado e sorridente após uma longa noite de incertezas, preocupações, esperança e diálogo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quebrou o protocolo e improvisou como fotógrafo em Teerã, onde conseguiu o compromisso do regime iraniano de realizar troca de combustível nuclear no exterior.

Frente à multidão de jornalistas que lotaram a sala de reuniões e se aglomeraram no local, Lula transformou a tensão em uma brincadeira que surpreendeu a todos, inclusive os demais líderes presentes, o iraniano Mahmoud Ahmadinejad e o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan.

Celso Amorim (esq.), Luiz Inácio Lula da Silva, Mahmoud Ahmadinejad, e Recep Tayyip Erdogan (dir.) comemoram

O presidente brasileiro acabou arrancando risos dos repórteres quando pegou uma das câmeras e passou a fotografar os outros dois líderes e os jornalistas no recinto.

De manhã, em uma rara decisão, a segurança iraniana permitiu que a imprensa observasse as negociações através do vidro de uma sala anexa ao centro de conferências da reunião, em Teerã.

Sentados em uma mesa, já mais descontraídos, os três dirigentes saboreavam um típico café da manhã iraniano, com chá, pão tradicional e pistaches persas.

A brincadeira de Lula simbolizou o alívio final depois de quase 30 horas de tensas negociações em busca de um acordo que ajudasse a destravar o impasse entre o Irã e a comunidade internacional sobre o polêmico programa nuclear iraniano, acusado de ter fins bélicos pelas potências ocidentais, o que é negado por Teerã.

O acordo feito entre Lula, Ahmadinejad e Erdogan representa um certo alívio ao conflito. O programa nuclear iraniano gera desconfianças por parte da comunidade internacional, mas o acordo prevê que o Irã envie à Turquia urânio enriquecido a 3,5% e o receba de volta enriquecido a 20%, nível suficiente para fins pacíficos.

Suspeitas

No entanto, o Reino Unido, a França e a União Europeia já sinalizaram que as suspeitas em relação aos objetivos do programa nuclear do país permanecem, e que a pressão para sanções contra o país devem ser mantidas.

Membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), tanto a França quanto o Reino Unido demonstraram ceticismo com relação aos termos do acordo, e indicaram que continuam a defender a aplicação das sanções.

O posicionamento ocidental contraria o argumento do chanceler brasileiro Celso Amorim, para quem o acordo firmado já deveria ser o bastante para encerrar as conversas sobre sanções. ''Em nossa opinião, deve ser suficiente. Por que deve ser suficiente? Porque nós ouvimos todos, nós conversamos muito com os franceses, conversamos, aliás, o presidente acaba de falar até com o presidente Sarkozy'', disse Amorim.

A Rússia e a China, que também detêm assentos fixos no Conselho, tradicionalmente vêm hesitando em aprovar uma nova rodada de sanções ao Irã, e devem manter uma posição mais favorável à Teerã.

Já a Casa Branca, apesar de ainda não ter emitido reação oficial, deve se manifestar contrária aos termos do acordo. Em análise, o jornal americano ''The New York Times'' avalia que os EUA devem rejeitar o acordo, mantendo sua posição firme com relação à nova rodada de sanções à Teerã.

Font: EFE / Folha Online

Postado por João Neto

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