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Lutador de jiu-jítsu morto em racha faria um mês de namoro no sábado

Lutador de jiu-jítsu morto em racha faria um mês de namoro no sábado

Atualizado: Sexta-feira, 18 Novembro de 2011 as 2

Audi que atropelou jovem foi levado para um pátio de veículos de Campinas (Foto: Juliana Cardilli/G1)   A morte do professor de jiu-jítsu Kaio César Alves Muniz Ribeiro, de 23 anos, atropelado por um Audi A3 que perdeu o controle durante um racha na madrugada desta sexta-feira (18) em Campinas, no interior de São Paulo, deixou amigos e parentes inconformados. Na casa onde ele vivia com a mãe, os avós e as irmãs, os amigos tentavam consolar a família. Ribeiro voltava da casa da namorada, Bruna Helena dos Santos Amaral, também de 23 anos, quando foi atingido.

O acidente aconteceu na Avenida Júlio Prestes, no bairro Taquaral. Segundo um policial militar que fazia ronda, um Audi e um Camaro seguiam em alta velocidade pouco antes da batida. A motorista do Audi perdeu o controle, subiu na calçada, acertou um orelhão e derrubou o portão de uma empresa. Segundo o Jornal Hoje, Kaio usava o telefone público no momento do acidente e foi arrastado por cinco metros. O impacto foi tão forte que um muro que separava a empresa de uma casa vizinha também foi destruído. Segundo a polícia informou à EPTV, os motoristas dos carros de luxo envolvidos no acidente irão responder por homicídio doloso – quando há intenção de matar - e não terão direito a pagar fiança para serem soltos. “Ele era uma pessoa muito boa. Calmo, tranquilo, tímido, carinhoso”, afirmou Bruna. Kaio estava na casa da namorada desde por volta das 22h – ambos saíram da academia onde ele dá aulas da luta marcial - e seguiram para a residência dela. A jovem contou que insistiu para que o namorado fosse embora mais cedo – ele percorria o caminho entre as duas casas a pé, em cerca de 30 minutos, mas ele insistiu em ficar mais.

Kaio voltava da casa da namorada quando foi

atropelado (Foto: Juliana Cardilli/G1) “Eu queria que ele fosse mais cedo, de medo, porque fomos assaltados semana passada. Mas ele saiu só 0h40”, afirmou a jovem. “De madrugada, umas 5h, um amigo dele foi na minha casa. Achei até que fosse o Kaio me chamando, pela voz. O amigo me pediu uma água e falou que o Kaio tinha sido atropelado. Eu perguntei se ele estava bem, e ele disse ‘está melhor do que a gente’. Desmaiei na hora, passei mal.”

Bruna e Kaio estavam juntos há pouco tempo – completariam um mês de namoro neste sábado (19). Os dois se conheceram pela internet. “Ficamos conversando um tempo, marcamos um encontro, e na primeira vez que nos vimos ele me pediu em namoro, me deu aliança”, contou.

Camaro que participava de racha também foi apreendido (Foto: Juliana Cardilli/G1) Campeão

Kaio era atleta da Federação do Estado de São Paulo de Jiu-Jítsu. Ele era vice-campeão brasileiro e campeão paulista na categoria adulto marrom. Neste fim de semana, ele iria participar de uma competição em Mogi Guaçu, no interior do estado.

Responsável por iniciar o jovem na luta e também amigo do jovem, o professor Elias Abdalla Neto ressaltou as boas qualidades do jovem. “Ele era humilde, simples, sossegado. Não gostava de briga, nunca falou mal de ninguém. Era muito bonzinho, não tinha vício nenhum, não ia para balada. Nunca colocou uma gota de álcool na boca”, contou. “É uma covardia. Se fosse um acidente normal, que a pessoa perdeu o controle, mas disputando um racha, tendo perdido, É muito triste”

Em uma de suas páginas de relacionamento na internet, Kaio, que aparece ao lado da namorada, comentou a sua boa fase de vida.

Polícia

Os dois motorista envolvidos no racha foram presos. A empresária de 42 anos que dirigia o Audi A3 que perdeu o controle e atingiu o jovem, que estava sobre a calçada, foi para a Cadeia Feminina de Paulínia, na mesma região. Já o empresário de 32 anos que dirigia um Camaro e tentou fugir do local do acidente foi encaminhado para a cadeia anexa ao 2º Distrito Policial de Campinas.

Os dois foram iniciados por homicídio simples, embriaguez ao volante e racha – o motorista do Camaro também foi indiciado por fuga de local de acidente. Segundo o boletim de ocorrência, registrado no 1º DP da cidade, ambos apresentavam sinais de embriaguez e forte odor etílico, assim como os passageiros que estavam nos carros – um em cada. Apenas a motorista do Audi aceitou fazer o teste do bafômetro, quatro horas após o acidente. Mesmo assim, o resultado foi de 0,42 mg/L de sangue, acima do permitido por lei - 0,3 mg/l.

Airbags do Audi foram acionados com o impacto da colisão (Foto: Juliana Cardilli/G1)          

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