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Mãe de jovem morta após percorrer hospitais de SP relata atendimento

Mãe de jovem morta após percorrer hospitais de SP relata atendimento

Atualizado: Segunda-feira, 4 Abril de 2011 as 1:45

Durante 19 dias, Deneise Soares lutou para salvar a vida da filha, Fernanda. A jovem passou mal numa festa de aniversário e foi socorrida por um amigo. “Ela estava bem, sorrindo. De repente ela sofreu um desmaio e perdeu a memória”, conta. O caso foi mostrado no Globo Repórter da última sexta-feira (1).

Na noite de 19 de setembro de 2010, Fernanda deu entrada no Hospital Estadual Vila Penteado, na Zona Norte. Ela recebeu alta e voltou para casa no mesmo dia. “Ela amanheceu falando para mim que estava passando mal. Punha a mão na cabeça e falou que as pernas tinham 100 kg, que ela não conseguia andar”, relata a mãe.

Com a ajuda de um vizinho, Deneise voltou com a filha ao hospital. “A enfermeira veio com um copo de comprimido, colocou embaixo da língua da minha filha e falou que eu tinha que aguardar 40 minutos. Fui na porta da médica e perguntei se era enxaqueca e ela confirmou. A médica não examinou, não pôs aparelho nenhum. Falou que se a dor melhorasse em meia hora eu podia ir embora.”

Mãe e filha voltaram para casa com uma receita de remédio para dor de cabeça, sem o nome completo e nem o carimbo com o registro profissional da médica, o que é obrigatório. Durante a madrugada, Fernanda foi socorrida novamente e levada para o Hospital Estadual do Mandaqui, também na Zona Norte.

A equipe que atendeu a jovem suspeitou que o caso era meningite e a medicação foi dada por outra médica que não acompanhava o caso. “Quando ela aplicou os dois anticonvulsivos foi uns gritos que você escutava lá de fora. Fernanda falava que a médica tinha a envenenado”, comenta Deneise. Desesperada, a mãe resolveu tirar a filha por conta própria do hospital.

No dia 23 de setembro, Fernanda foi levada para o terceiro e último hospital, a Santa Casa de Misericórdia, na região central. Ela passou por duas cirurgias no cérebro. O diagnóstico foi bem diferente. A jovem teve um aneurisma, o rompimento de uma artéria no cérebro.

“A demora na evolução do caso, sem dúvida, pode ter comprometido. Ela desenvolveu complicações em decorrência do primeiro sangramento. Infelizmente perdemos uma paciente com 32 anos de idade, com uma vida pela frente”, lamentou o neurocirurgião da Santa Casa, José Carlos Veiga.

Fernanda morreu no dia 8 de outubro de 2010. “Eu implorei ajuda, eu implorei o exame, eu implorei para salvarem minha filha e o pouco caso foi muito grande”, reclama a mãe.

O secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Giovanni Guido Cerri, disse que será apurado se houve algum erro no atendimento prestado pelos dois hospitais do estado. “Pelo que foi averiguado não houve omissão. Algumas vezes o diagnóstico não pode ser feito. Esta paciente, inclusive, fez uma tomografia que não constatou o aneurisma. No Mandaqui, ela estava sendo atendida no pronto-socorro e a família acabou se evadindo do hospital. Acho também que é uma família que apresenta alguns problemas. Nós vamos apurar e saber se houve algum erro no atendimento e se, nós constatarmos que houve algo inadequado ao atendimento, nós vamos corrigir.”      

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