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Mãe entra na Justiça para ter direito a cirurgia de emergência

Mãe entra na Justiça para ter direito a cirurgia de emergência

Atualizado: Terça-feira, 27 Setembro de 2011 as 12:54

Raylane Rangel tem apenas seis meses e já luta pela vida. Quando a garotinha capixaba, completou três meses, os médicos diagnosticaram que ela teve o fechamento precoce da moleira. Segundo a mãe da criança, por causa desse problema o cérebro de menina pode sofrer uma compressão, o crânio e rosto já está sofrendo deformações. Raylane precisa se submeter a uma cirurgia o mais rápido possível, caso contrário ela pode sofrer sequelas e até perder a visão. Agora, a mãe da criança, Roseane Pereira, está travando uma briga na Justiça, já que o plano de saúde se recusa a fazer o procedimento cirúrgico. Segundo a empresa São Bernardo Saúde, o serviço médico só poderá ser feito depois de cumprida a carência. Segundo a pedagoga e mãe da criança Roseane Pereira, quando a filha nasceu não apresentava nenhuma anomalia. "A minha filha tem braquicefalia, que é o fechamento precoce da moleira. Procurei vários neurocirurgiões e fiquei sabendo que precisava fazer uma operação. Foi muito difícil para mim, enquanto mãe, ter que decidir fazer a operação. Vai ser necessário abrir o osso craniano, mas os médicos disseram que se não fizer a operação ela pode ter sequelas em poucos meses, perder alguns movimentos e até perder a visão", detalhou a pedagoga.

Roseane disse que chegou a marcar a cirurgia para o dia 19 de setembro, mas ao dar entrada no convênio disseram que não liberariam o procedimento médico. "O plano alegou que o convênio estava em carência, no prazo para uma internação ou cirurgia. Eles me disseram que assim que terminasse a carência uma nova avaliação seria feita para saber se isso, que a minha filha apresenta, é uma doença pré-existente. Disseram ainda que não tem acordo e só realizam a cirurgia através de uma liminar judicial", contou a mãe da pequena Raylane, que já entrou com uma liminar na Justiça.

A família conseguiu na Justiça, o direito de fazer alguns exames que o plano de saúde se negou a oferecer. Mas agora, o mesmo juizado que tinha liberado os exames, se disse incapaz de julgar o processo da cirurgia. Na decisão de arquivamento, o juiz orienta a família a procurar o Ministério Público. Enquanto isso, a família corre contra o tempo, pois uma oftalmologista já deu um laudo dizendo que o nervo óptico da menina já está sendo comprimido, o que pode causar a perda da visão de Raylane. "O médico me disse que eu deveria marcar a cirurgia para a próxima semana, pois minha filha corria o risco de ficar cega", disse Roseane.

A mãe da bebê de 6 meses já procurou a justiça

(Foto: Juirana Nobres / G1)

  De acordo com o São Bernardo Saúde, quando uma mãe, associada ao plano tem um bebê, a criança tem cobertura durante 30 dias através da cobertura da mãe. Durante esse período, segundo o São Bernardo, a criança tem todas as coberturas e não há necessidade de cumprir carência.

Após os 30 dias, caso seja feita a inserção do recém-nascido ao plano de saúde, ele aproveitará as carências já cumpridas pela mãe.

Segundo o plano, no caso da Raylane, a mãe não possuía o plano de saúde e a associação foi feita somente quando ela tinha dois meses. O procedimento de que ela necessita é de alta complexidade e a carência para ele é de 180 dias. Ainda segundo,  São Bernardo Saúde, a cirurgia poderá ser liberada a partir do dia 28 de outubro de 2011, considerando que a adesão da criança foi feita em maio.

Fechamento da fontanela   De acordo com o médico pediatra Walmin Ramos, o termo médico usado para a moleira é "fontanela". "O tempo médio para o fechamento da fontanela é de 9 a 18 meses. Se ela se fecha antes, a cabeça deixa de crescer e o cérebro fica sem espaço, com isso ocorre o aumento da pressão dentro da cabeça, o que vai comprimindo as estruturas novas", disse o médico.

O fechamento precoce da fontanela não é tão comum, segundo o pediatra o acompanhamento médico mensal pode identificar algum problema. Para corrigir, é necessário a intervenção cirúrgica. "O médico especialista vai abrir a caixa óssea da cabeça. Mas, para isso a família não pode perder tempo, por que a todo momento o cérebro está crescendo e a criança pode começar a perder movimentos importantíssimos para a sua vida. É uma cirurgia de emergência e não é nada complexa", declarou Walmim Ramos.

Segundo o médico, todo recém-nascido apresenta na chamada calota craniana, no alto da cabeça, duas aberturas: a fontanela anterior e a posterior. Suas funções principais são facilitar a passagem do bebê, na hora do parto, e permitir, junto com as pequenas linhas de separação entre os ossos da cabeça, o crescimento adequado do cérebro.          

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