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Mãe que permitiu estupro de filha não será indiciada em MT

Mãe que permitiu estupro de filha não será indiciada em MT

Atualizado: Quinta-feira, 30 Junho de 2011 as 2:53

A criança de 11 anos que engravidou após manter relacionamento com um homem de 32 anos na Vila São Fabiano – reduto dos remanescentes da etnia chiquitana, em Porto Esperidião, a 326 quilômetros de Cuiabá - não deve voltar mais para casa. A Polícia Civil também adiantou que não deve indiciar a mãe da menina pelo crime. Ainda segundo a polícia, o suspeito de cometer o crime deve ser indiciado por estupro de vulnerável.

Em depoimento à Polícia Civil, a mãe chegou a dizer que consentiu com o relacionamento que a filha mantinha com o suspeito de tê-la engravidado, um viúvo de 32 anos. Ela também comentou que a gravidez de três meses, apesar de precoce, é encarada no lugarejo como uma tradição indígena.

Em entrevista ao G1 , um dos integrantes do Conselho Tutelar da cidade, Jander José Ferreira, disse que o desafio agora é reintegrar a criança a um novo lar. “Estamos acompanhando o caso com muito carinho e nosso objetivo agora é achar uma família para reintegrar a criança”, afirma o conselheiro. O conselheiro disse ainda que a meta é inserrir a menina primeiramente entre os familiares mais próximos.

Investigação

A criança passou na manhã desta quinta-feira (30) por exames periciais que vão compor o inquérito policial que investiga o caso. O G1 também entrou em contato com o delegado Mário Demerval Aravechia de Resende, responsável pela investigação. Ele justificou porque indiciou o suspeito por estupro de vulnerável. “Por mais grave que pareça, as relações sexuais aconteciam dentro da casa da indiazinha. O suspeito, por ter mais de 18 anos, deveria ter consciência do que fazia”, explica o delegado.

Ele ainda adiantou que não pensa em responsabilizar a mãe pela gravidez precoce da filha e, que deve pedir a prisão preventiva do suspeito de ter engravidado a criança. “Vou concluir o procedimento e encaminhá-lo ao Poder Judiciário e Ministério Público. Eles vão decidir se a mãe da menina também tem culpa”, define Mário de Resende.

Ao G1 , a Polícia Civil de Porto Esperidião disse que apenas neste ano registrou três casos de gravidez de crianças na comunidade indígena e que só pode atuar após receber denúncia.        

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