MENU

Mãe que teve filha levada por pai libanês não a vê há quatro meses

Mãe que teve filha levada por pai libanês não a vê há quatro meses

Atualizado: Segunda-feira, 2 Agosto de 2010 as 9

O que deveria ser só mais um passeio de Gabriella, de 6 anos, com o pai se tornou um pesado para a mãe, Claudia Dias de Carvalho Boutros, que não vê a filha há 4 meses. Desde 2008, quando se separou de Cláudia, o libanês Pedro Boutros Boutros tinha o direito de a cada quinze dias, ficar com a filha.

Na frente da casa em que mora, Cláudia viu a filha pela última vez. Na noite do dia 12 de março, o pai da menina veio buscá-la para passar o final de semana, ela saiu do portão, atravessou a rua e daqui se despediu da mãe.

“Dei um beijinho nela e falei: ‘filha, toma cuidado, a mamãe te ama’", lembra a mãe. No dia combinado, Pedro não voltou com Gabriella. Foram quatro meses de uma busca desesperada. Só quando registrou o quinto boletim de ocorrência, no final de junho, é que Cláudia começou a acreditar que o ex-marido poderia ter fugido com a filha para o Líbano.

“Como esperança de mãe é a última que morre, e a primeira que nasce, falei: ‘Não, doutor, a minha filha está aqui...”, conta Cláudia. Esta semana, a Interpol confirmou que a menina está no Líbano desde o dia 18 de marco, menos de uma semana depois de ter saído da casa da mãe.

Segundo a polícia, o libanês fugiu pela fronteira com o Paraguai e lá pegou um avião. O voo fez escala na Argentina e na França, antes de chegar a Beirute, capital libanesa.

Segundo o advogado de Cláudia, José Beraldo, Gabriella viajou sem a autorização da mãe e sem documentos. “O que se conclui de tudo isto é que está tudo muito vulnerável, né? Aeroporto, fronteira, aeroportos em geral”, diz.

Cláudia acredita que o marido está na casa da família, em Trípoli. Um lugar que ela conheceu com Gabriella em 2005.

“Ele está sendo muito frio, a família dele também. Estão sendo coniventes a esta situação”, diz.

Esta semana, o correspondente da TV Globo no Oriente Médio, Ari Peixoto, tentou várias vezes obter informações com uma irmã de Pedro, que mora em Trípoli.

Em inglês, ela pediu para que não ligasse mais, disse que estavam todos bem, que não sabia nada sobre o irmão. Antes de desligar afirmou: ‘Você está me aborrecendo. Não me ligue mais, todo mundo está bem, não sei nada sobre este assunto, sobre meu irmão, e você está me aborrecendo.”

No Líbano, normalmente depois de uma separação, os filhos ficam com o pai.

“O direito libanês concede ao chefe da família muito mais prerrogativas. Esse contexto cultural libanês realmente traz mais dificuldade para que a mãe consiga reaver a sua criança”, diz o professor de direito internacional da USP, Pedro Dallari.

Mesmo drama

Outras mães brasileiras enfrentam o mesmo drama. A reportagem do Fantástico pegou a estrada rumo a Ibitinga, no interior de São Paulo, para encontrar uma mãe que há 13 anos passou pelo que Cláudia está vivendo agora.

Também era noite quando os filhos de Vagna Bandeira Abbas saíram com o pai. Atef, que ainda era casado com a costureira, levou Bilal, de 3 anos e Hamze, de apenas 9 meses.

“Eu dei mama pro Hames e ele foi na farmácia aqui do lado pra comprar um remédio, sumiu, quinze dias depois estava no Líbano. Sem nenhum empecilho, entrou no Líbano com estas crianças, ficou um bom tempo no Líbano... Agora não sei onde eles estão”, conta a mãe.

Na época, o repórter César Tralli, encontrou o pai e os meninos no Líbano. "Foi muito fácil a minha saída do Brasil sem autorização dela", disse o pai.

Ficou provado que Atef Abbas falsificou a assinatura de Vagna para tirar passaporte para os filhos. Ele chegou a ser preso duas vezes por falsidade ideológica, mesmo assim a mãe nunca conseguiu trazer as crianças de volta para o Brasil.

“Eu tenho que esperar, né? Eu ainda espero”, diz Vagna, que guarda os processos para que um dia os filhos conheçam a propria história.

Enquanto isso, ela tenta recuperar a sua identidade. Diz que tem espelhos em casa porque quem se olha não se mata.

“Eu não consegui concluir nenhum curso que eu entrei, eu não consegui me casar novamente, eu não consegui ter filhos novamente, não consegui nada, a minha vida ficou parada nesta situação.”

“O que mais que doeu a hora que eu vi ela chorando, pedindo o filho pra amamentar e o leite do peito dela saindo...”, conta o pai de Vagna.

Vagna não se surpreendeu a saber a história de Cláudia. “Como você vê, passa o tempo e a história se repete. não entra na minha cabeça isto acontecer.”

veja também