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Magistrados começam a trabalhar em processos de juíza morta no RJ

Magistrados começam a trabalhar em processos de juíza morta no RJ

Atualizado: Terça-feira, 16 Agosto de 2011 as 4:27

                                    Três juízes começaram a trabalhar nesta terça-feira (16) nos processos da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, onde trabalhava a juíza Patrícia Acioli. A juíza foi assassinada na última sexta (12), quando chegava em casa, em Niterói. De acordo com o Tribunal de Justiça (TJ-RJ), os juízes não estão despachando no gabinete da juíza, já que a Polícia Civil lacrou o local para que seja feita a perícia.

O TJ-RJ preferiu não divulgar o endereço onde os juízes Fabio Uchoa, Alexandre Oliveira Camacho de França e Claudia Márcia Vidal estão trabalhando. Na segunda-feira (15), o desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, presidente do TJ-RJ, afirmou que os três serão os responsáveis por dar prosseguimento aos processos contra milícias e máfias de transporte ilegal que atuam na região. Os juízes vão receber segurança do próprio tribunal.

De acordo com o desembargador, há um mês ele determinou a compra de seis carros blindados para o TJ e, após a morte da juíza Patrícia Acioli, irá alugar mais cinco veículos para atender os magistrados que se sentirem ameaçados.

Imagens

A Polícia Civil analisa as câmeras do Fórum de São Gonçalo, além das imagens do circuito interno de segurança do condomínio em Niterói, onde ela morava. O desembargador informou ainda que em casos de processos mais complicados, como os relativos a grupos de milicianos, da máfia de transportes irregulares, podem ocorrer desaforamento. Ou seja, os julgamentos poderão ocorrer em outros tribunais do estado, como Niterói ou Rio de Janeiro.

Na segunda, o presidente do TJ disse que esteve com o delegado Felipe Ettore, da Divisão de Homicídios (DH), que investiga o crime e que ficou muito otimista com o que ouviu.

"Existem várias linhas de investigação. Mas estou muito otimista, muito esperançoso com a solução deste crime. O delegado me disse que está otimista com relação à identificação dos assassinos. Fiquei muito bem impressionado", disse o desembargador.

'Ela nunca se acovardou', diz irmã da juíza

"Apesar de todos os riscos, ela nunca se acovardou e sempre enfrentou todos esses bandidos com medo, mas com muita coragem”, disse Simone Acioli, irmã da juíza Patrícia.

”Quem conhece minha irmã sabe que ela era uma pessoa maravilhosa, generosa e sempre muito preocupada com a Justiça desde pequena”, afirmou Simone.

No fim de semana foram presos oito policiais militares do Batalhão de São Gonçalo acusados de assassinar um jovem em uma comunidade da cidade. A prisão preventiva do grupo havia sido decretada por Patrícia horas antes de ela ser executada.     Enterro em Niterói reuniu centenas de pessoas

(Foto: Wilton Júnior/Agência Estado)     Pelo menos 20 pessoas já foram ouvidas sobre o crime. Entre as testemunhas, o namorado da juíza, o Policial Militar Marcelo Poubel, que falou durante mais de 6 horas na DH.

Marcada para morrer

O nome de Patrícia estava em uma lista de doze pessoas marcadas pra morrer, segundo investigadores. O documento foi encontrado com Wanderson da Silva Tavares, o Gordinho, acusado de ser chefe de uma milícia em São Gonçalo, preso em janeiro deste ano em Guarapari, no Espírito Santo.

De acordo com fontes da polícia, nos últimos dez anos a juíza foi responsável pela prisão de cerca de 60 policiais ligados a milícias e a grupos de extermínio.

Em setembro do ano passado, seis suspeitos, ente eles quatro policiais militares, foram presos. Segundo as investigações, todos faziam parte de um grupo envolvido no assassinato de 11 pessoas em São Gonçalo. A juíza Patricia Acioli foi quem expediu os mandados de prisão. Patrícia tem um histórico de condenações contra criminosos que atuam na cidade, como quadrilhas que agem na adulteração de combustíveis e no transporte alternativo, entre outros crimes.

Escolta

Segundo o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, Patrícia nunca pediu escolta, mas, por iniciativa do Tribunal, teve proteção intensa de 2002 a 2007, com três policiais fazendo a sua segurança 24 horas por dia.

Em 2007, o Departamento de Segurança Institucional do TJ avaliou o caso e verificou que não havia mais necessidade de segurança intensa. O TJ colocou, então, à disposição da juíza um policial para fazer sua segurança.

Mas, segundo ele, a juíza dispensou a proteção. O presidente disse ainda que é muito comum os juízes pediram para serem liberados da segurança porque ela interfere na liberdade dos magistrados.            

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