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Mais um caso de gravidez por 'útero didelfo' é registrado no Sul de MG

Mais um caso de gravidez por 'útero didelfo' é registrado no Sul de MG

Atualizado: Sexta-feira, 27 Maio de 2011 as 4:25

Mais uma mulher que possui a malformação de "útero de didelfo", que faz com que, durante a formação do órgão reprodutor, uma divisão surja fazendo com que as partes fiquem completamente separadas, está grávida de gêmeos em Alfenas, no Sul de Minas. Na quarta-feira (26), uma moradora de Três Pontas, Jucéa de Andrade, também do Sul do estado, deu à luz gêmeos após uma gestação considerada rara pelos médicos. Ela também possui a malformação e cada bebê foi gerado em um útero diferente. No caso de Alfenas, as duas crianças foram geradas no mesmo útero, o que, segundo os médicos, não é tão incomum.

Eliane Silveiro, de 26 anos, está no sétimo mês de gravidez e a expectativa é de que as filhas, que irão chamar Lídia e Lorena, nasçam no dia 27 de julho. Ela já tinha engravidado há seis anos, mas sofreu um aborto espontâneo. Naquela época, Eliane descobriu que tinha a malformação e que precisaria de um tratamento médico para engravidar. A jovem chegou a tomar remédios durante três anos, mas não teve êxito. No ano passado, ela resolveu voltar ao tratamento e, em poucos meses, recebeu a notícia que seria mãe.     De acordo com Eliane, os médicos disseram que a gravidez era arriscada. "Eles me falaram que era um caso raro, que talvez a gravidez nem chegasse ao final. Mas já estou com sete meses, feliz e ansiosa para ter as minhas filhas", afirmou.

Útero didelfo

Segundo o especialista em ginecologia endócrina José Arnaldo de Souza Ferreira, o caso de Jucéa é mais incomum, pois cada óvulo foi captado por uma trompa uterina diferente. De acordo com ele, existia a possibilidade de que os gêmeos fossem gerados em um único útero, mesmo que a paciente tenha outro, como no caso de Eliane.

Este tipo raro de malformação uterina ocorre em 10 de cada 20 mil mulheres, segundo José Arnaldo. De acordo com o médico, muitas mulheres engravidam e convivem com o problema sem ter conhecimento da existência dele. O ginecologista explica que, para ter um diagnóstico certo, é preciso fazer um ultrassonografia tridimensional, ou uma ressonância nuclear magnética ou uma laparoscopia, que consiste em um procedimento cirúrgico. Contudo, a suspeita pode surgir depois de procedimentos clínicos simples.

Ainda segundo o médico, grande parte dos casos de gravidez em "útero didelfo" chega ao fim de forma segura e tranquila para a mãe e o bebê, mas, em alguns casos, a malformação pode causar problemas de circulação sanguínea e aborto. Outros problemas como o tamanho do órgão - que pode ser pequeno e insuficiente para a gestação - também pode levar à interrupção da gravidez.        

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