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Major morto em assalto na Zona Sul de SP estava na PM havia 26 anos

Major morto em assalto na Zona Sul de SP estava na PM havia 26 anos

Atualizado: Quinta-feira, 8 Dezembro de 2011 as 2:14

O major morto durante uma tentativa de assalto a uma loja de material de construção na Zona Sul de São Paulo, nesta quarta-feira (7), estava na Polícia Militar havia 26 anos. Sandro Moretti da Silva Andrade, de 46 anos, era subcomandante do batalhão de Santo Amaro.

A tentativa de assalto aconteceu no M'Boi Mirim. Pelo menos oito pessoas foram feitas reféns e libertadas sem ferimentos, segundo a PM. O homem que disparou contra os policiais já teria chegado morto ao Hospital do M'Boi Mirim para onde os baleados foram encaminhados. Andrade morreu quando era levado para a sala de cirurgia. Ele foi atingido na barriga. O estado de saúde de um terceiro ferido, um soldado da PM atingido no ombro esquerdo, era estável nesta manhã, de acordo com a PM. Nesta madrugada, a Polícia Científica realizou a perícia na loja de material de construção.

Andrade começou a carreira como bombeiro em São José do Rio Preto, no Noroeste de São Paulo. O sonho dele era ser policial e foram mais de 26 anos de trabalho na PM do interior. Os colegas o consideravam um profissional exemplar.

No ano passado, Sandro foi promovido de capitão a major e foi transferido para a capital. Primeiro, ele trabalhou em Parelheiros, no extremo da Zona Sul e há cinco meses assumiu o cargo de subcomandante. O policial de 46 anos era casado e tinha quatro filhos. Em nota, a PM informou que já era fim do expediente quando Sandro soube da ocorrência na Estrada do M’Boi Mirim e que ele foi ao local acompanhar a negociação feita por policiais de sua unidade.

Sem colete à prova de balas

A PM diz que ele estava devidamente fardado para a função administrativa, sem colete salva-vidas, mas que o acessório é obrigatório em atividades ostensivas.

A Polícia Militar vai investigar se o major emprestou o colete à prova de balas que deveria usar a um jornalista que acompanhava a operação. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (8) pelo coronel Marcos Roberto Chaves da Silva, responsável pelo Comando de Policiamento da capital.

Já o coronel Álvaro Camilo, comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, afirmou que Andrade descumpriu a recomendação da corporação sobre o uso do colete à prova de balas. Segundo Camilo, o uso do equipamento é obrigatório para todos os policiais militares fardados em operação. O comandante-geral afirmou desconhecer a informação sobre o empréstimo do colete, e que isso será apurado no âmbito administrativo da corporação.

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“Ele não seguiu as orientações e normas da PM que determina o uso obrigatório do colete quando se está fardado e em atividade operacional. O uso do colete, bem como da pistola calibre 40 e do gás de pimenta, é de uso individual de cada policial militar. Houve uma falha operacional neste caso, mas quero deixar claro que ele morreu como herói tentando salvar outras vidas”, disse Camilo.

O comandante-geral não soube dizer se Andrade estava negociando a libertação dos reféns quando foi baleado. Entretanto, ele salientou que o major tinha curso de gerenciamento de crise, trabalhou por um tempo no Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e tinha toda a capacitação para agir numa situação como essa.

Ainda de acordo com o coronel Álvaro Camilo, a morte do major era inevitável já que o tiro atingiu uma parte do ombro que o colete não protegeria, atingindo órgãos importantes.

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