Manifestantes deixam Câmara Legislativa do DF após negociação

Manifestantes deixam Câmara Legislativa do DF após negociação

Atualizado: Terça-feira, 8 Dezembro de 2009 as 12

Após intensa negociação, o grupo de 60 manifestantes começou a deixar a Câmara Legislativa do Distrito Federal na tarde desta terça-feira. Eles ocupavam o prédio há cinco dias em protesto contra a permanência de José Roberto Arruda (DEM) no governo do Distrito Federal. Ele é suspeito de participar de um suposto esquema de corrupção.

Eles saem um a um, em fila. Alguns são carregados por policiais em sinal de protesto. Os manifestantes foram levados para uma van. Depois serão transferidos para local ainda desconhecido. A expectativa é que sejam levados para a UnB (Universidade de Brasília).

A desocupação foi negociada por uma comissão criada pela PM e deputados distritais. A Justiça concedeu reintegração de posse para a Câmara na sexta-feira passada. Mas só hoje a decisão foi cumprida - após a Justiça ameaçar processar o secretário de Segurança Pública por descumprimento de ordem judicial. Ontem, a PM informou que não pode fazer a desocupação porque faltavam homens para retirar os manifestantes sem uso de força.

Impeachment

A Câmara vai analisar três dos 11 pedidos de impeachment protocolados na Casa contra Arruda por crime de responsabilidade. Foram aceitos os processos apresentados pelo presidente do PT no DF, Chico Vigilante, pelo advogado Evilásio dos Santos e pela presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Estefânia Viveiros.

A Procuradoria ainda não deu parecer sobre o pedido de impeachment protocolado pela representante da OAB contra o vice-governador Paulo Octavio (DEM).

Os procuradores da Câmara utilizaram a lei 1.079 de 1950 para rejeitar oito pedidos de afastamento contra Arruda. O argumento é que não há previsão legal para que partidos e entidades apresentem pedidos de cassação.

Arruda é suspeito de participar de um esquema de pagamento de propina a parlamentares da base aliada na Câmara Legislativa do DF. O dinheiro viria de empresas que prestam serviços ao governo do DF. O governador, que foi flagrado em vídeo recebendo dinheiro, nega as acusações.

Os pedidos de impeachment serão analisados diretamente pela comissão criada nesta terça-feira pela Câmara.

Cabo Patrício afirmou que não será preciso mais que os pedidos sejam analisados pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O petista negou que a criação da comissão seja uma manobra para retardar a análise dos processos.

''Não é protelação. A comissão especial substitui a CCJ do ponto de vista jurídico e do ponto de vista do mérito'', disse.

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