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Manifestantes fecham ruas no entorno da sede do governo do Ceará

Manifestantes fecham ruas no entorno da sede do governo do Ceará

Atualizado: Quinta-feira, 18 Agosto de 2011 as 1:51

Integrantes de movimentos populares fecharam ruas no entorno do Palácio da Abolição, sede do Governo do Estado do Ceará, em Fortaleza, na manhã desta quinta-feira (18). Os manifestantes são contrários às desapropriações realizadas pelo governo para obras de instalação do Veículo Leve Sobre Trilho (VLT), prevista no projeto de mobilidade urbana para a Copa do Mundo de 2014. “Eles estão preocupados com a beleza da cidade para a Copa do Mundo, mas com as nossas casas ninguém se preocupa”, diz Maria Gardênia Gabriel da Silva, integrante do Movimento dos Conselhos Populares (MCP).     Além do MCP, membros do Movimento de Lutas nos Bairros (MLB), professores e estudantes da Universidade Federal do Ceará (UFC), entre outros, participam do protesto. Os manifestantes, munidos com placas e cartazes, fecharam a Rua Tenente Benévolo e a Avenida Barão de Studart. Eles alegam que não houve transparência pública sobre a remoção das pessoas e afirmam estarem sendo forçadas a sair de suas casas. “Estamos sendo pressionados, oferecem misérias por nossas casas”, afirma Gardênia.

Uma comissão formada pelos manifestantes foi recebida pelo secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado, Nelson Martins, mas não houve avanços nas negociações. Segundo Martins, uma nova comissão será recebida pelo governador Cid Gomes na tarde desta quinta-feira para dialogar.

Secretaria dos Direitos Humanos

A Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República está no Palácio da Abolição para lançamento da “Caravana Direitos Humanos pelo Brasil”, que vai percorrer o País para levar informações sobre políticas públicas e identificar violações de direitos humanos.

Secretários do estado estão reunidos no palácio para prestigiar o lançamento. Os manifestantes aproveitaram a ocasião. “Já que ela defende os direitos humanos, pedimos apoio para defender nosso direitos”, diz a manifestante Maria Gardênia.

Visita polêmica

A polêmica envolvendo as desapropriações para as obras de instalação do VLT começou no início de agosto. Quando o governador Cid Gomes (PSB), o Chefe da Casa Civil do Ceará e o deputado Ivo Gomes, estiveram na Comunidade Aldaci Barbosa, no Bairro de Fátima , para negociar a situação dos moradores que vivem na área de risco e devem ser removidos para continuação das obras.

A visita terminou em tumulto com denúncias feitas por moradores de agressões por parte dos seguranças de Cid e pela insatisfação com o modo de negociação da comitiva do Governo. “Se ele quiser negociar algo, que venha ao centro comunitário e não de casa em casa”, afirma o morador Valdemir Jesus Feitosa.

Defesa

Dez dias após visitar a comunidade, o governador Cid Gomes defendeu o processo de desapropriação dos imóveis na área que deve receber as obras e as formas de negociação.

A obra, argumenta o governador, aponta a necessidade de 2.500 interferências em imóveis. Isso não quer dizer, acrescenta, que todas as famílias serão realocadas. "Essas interferências podem variar de 30 cm ou um metro, podendo chegar a interferência para que haja necessidade de desapropriação da área como um todo", diz.

Para Cid Gomes, algumas comunidades têm recebido informações equivocadas. E tem procurado "pessoalmente" prestar esclarecimentos de que o Governo do Estado vai indenizar as famílias atingidas pelas obras pelo "preço mais justo possível".          

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