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Manifestantes vão à Câmara protestar contra denúncias de corrupção

Manifestantes vão à Câmara protestar contra denúncias de corrupção

Atualizado: Terça-feira, 2 Agosto de 2011 as 9:27

Após o recesso, a Câmara Municipal de Curitiba voltou ao trabalho nesta segunda-feira (1ª) com manifestação de estudantes e de representantes da sociedade civil - como centrais sindicais, movimentos sociais e partidos políticos - que protestaram por causa de denúncias de irregularidades que teriam sido cometidas pela Casa.

Em entrevista ao G1, o presidente da União Paranaense dos Estudantes (UPE), Rafael Bogoni, afirmou que os manifestantes foram ao plenário para acompanhar a sessão, mas foram impedidos. Segundo Bogoni, a segurança da Câmara barrou a entrada deles de forma "truculenta" e parte dos manifestantes só conseguiu entrar com a ajuda de alguns vereadores "amigos".

A Câmara negou ter impedido a entrada dos visitantes. Em nota, informou que como o prédio está em reforma, sessões e eventos passaram a ser realizados, provisoriamente, em um auditório no quarto andar do Anexo II da Casa. “As restrições quanto ao número de pessoas se baseiam na segurança e bem-estar dos que ali se encontram (...) foram tomadas medidas para atender a todos de maneira adequada. Porém, o número de pessoas e entidades presentes foi superior ao que o local tem possibilidade de atender”, diz trecho da nota.

A vereadora professora Josete (PT) afirmou que normalmente qualquer cidadão que queira acompanhar a sessão tem livre acesso ao plenário, mas que nesta segunda-feira foram distribuídas credenciais verdes e vermelhas. De acordo com a vereadora, ela conversou com uma pessoa que possuia credencial verde. Ela teria confessado ser funcionária da prefeitura e dito que recebeu a credencial no local de trabalho. A vereadora acredita que as credenciais tenham sido distribuídas em diversas secretarias com antecedência.

O presidente da UPE explicou que as recentes denúncias envolvendo o presidente da Câmara, vereador João Cláudio Derosso (PSDB), são o motivo da manifestação.

Segundo Bogoni, as denúncias podem sinalizar para outros atos de corrupção na Câmara de Curitiba.

As denúncias

Uma investigação do Ministério Público (MP) aponta que a mulher de Derosso, Cláudia Queiroz Guedes, pode ter sido beneficiada em licitações promovidas pela Casa. De acordo com o MP, duas empresas de Cláudia Guedes venceram processos licitatórios para gerir a verba da propaganda do legislativo curitibano, enquanto ela era funcionária da Câmara.

Neste domingo (31), o jornal Gazeta do Povo mostrou em uma reportagem que o MP descobriu, durante investigações sobre contratações irregulares na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que alguns funcionários do legislativo estadual também eram, no mesmo período, nomeados para trabalhos na Câmara de Curitiba. A dupla função é ilegal e aconteceu entre os anos de 1997 e 2006.

Derosso informou via assessoria de imprensa que, por orientação dos advogados, não vai dar novas declarações à imprensa e que todas as informações solicitadas pelos órgãos envolvidos nas investigações estão sendo fornecidas. Ele e mais sete vereadores não participaram da sessão desta segunda.

Nesta terça-feira, vereadores vão protocolar um requerimento, na mesa executiva da Câmara, pedindo esclarecimentos e informações oficiais sobre os contratos de publicidade.

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