Mantega diz que medidas do BC vão encarecer o crédito, mas são oportunas

Mantega diz que medidas do BC vão encarecer o crédito, mas são oportunas

Atualizado: Sexta-feira, 3 Dezembro de 2010 as 4:21

As medidas anunciadas hoje (3) pelo Banco Central (BC) irão encarecer o crédito, mas é oportuno adotá-las diante da expansão existente no mercado financeiro, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao deixar Brasília com destino a São Paulo, onde irá despachar à tarde.

Entre as medidas anunciadas pelo Banco Central, após decisão do Conselho Monetário Nacional, está o aumento do compulsório dos bancos para retirar R$ 61 bilhões da economia e reduzir a oferta de crédito ao consumidor final.

“As medidas são muito boas e acertadas. O aumento do compulsório tira um pouco de liquidez do crédito, que cresceu muito ultimamente e a demanda já está num patamar satisfatório”, disse Mantega.

Para o ministro, as outras medidas prudenciais anunciadas pelo BC, como o aumento de garantias que os bancos terão oferecer ao liberar empréstimos longos aos clientes, também são importantes porque vão exigir que as instituições financeiras tenham mais dinheiro reservado para operações consideradas de risco.

“Quando você faz um financiamento de muito longo prazo, exige-se mais capital dos bancos de modo que, se houver algum problema, existe a cobertura. É claro que vai encarecer um pouco o crédito, mas neste momento em que há uma expansão é oportuno fazê-lo [adotar as medidas prudenciais]”, disse.

O ministro informou ainda que as medidas estão de acordo com o que defende o G20 (grupo formado pelas economias mais fortes do mundo) e com o acordo firmado entre dirigentes de bancos centrais que aumenta a exigência de capitalização dos bancos para evitar novas crises no mercado financeiro (Basileia 3).

“A situação não é preocupante, mas o crescimento tem sido muito forte e hoje já foi totalmente restabelecido o crédito do período pós-crise. Tem que dar uma moderada para que ele não passe dos limites”, defendeu Mantega.

O ministro enfatizou ainda que, passada a crise, as autoridades monetárias devem olhar para as mudanças conjunturais da economia. “Passamos por um período de restrição de crédito no passado e isso foi totalmente superado. O setor privado já voltou ao crédito com bastante força e nós temos que evitar que haja exageros. Então, as medidas foram adequadas”, avaliou.

Esta semana, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, já havia demonstrado preocupação com o superendividamento dos novos consumidores brasileiros, que entraram no mercado de consumo nos últimos anos. Segundo o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, trata-se de uma “preocupação preventiva”, pois, mesmo considerando a inserção dessas pessoas um exercício de cidadania, muitas delas, às vezes, desconhecem as regras do jogo.

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