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'Me deu um aperto no peito', diz pai de bebê transferido para SP

'Me deu um aperto no peito', diz pai de bebê transferido para SP

Atualizado: Terça-feira, 6 Setembro de 2011 as 12:29

UTI aérea saiu de Salvador no início da manhã

(Foto: Reprodução/TV Bahia)

  A UTI aérea que levou o beb ê Cauê Ribeiro de Salvador para realizar uma cirurgia cardíaca em São Paulo aterrissou na capital paulista por volta das 11h desta terça-feira (6). A criança, que tem 37 dias de vida, viajou acompanhada da mãe e aos cuidados de um médico na aeronave.

Alessandro Lima Ribeiro, de 29 anos, pai de Cauê, ficou em Salvador, mas acompanhou todo o trabalho de transporte do hospital até o aeroporto.

“Era mais ou menos 4h17 da manhã quando a ambulância chegou ao Hospital Santa Izabel para buscá-lo. Me deu um aperto no peito ver ele saindo assim para outra cidade sem eu poder acompanhar, mas eu sei que lá ele vai ficar bem. A equipe médica nos deu muito apoio e muita força”, comemora Alessandro sobre a saúde do seu primeiro filho. O pai acrescenta que também deve seguir para São Paulo em 10 ou 15 dias.

A mãe de Cauê, Tâmara Nascimento, avisou ao marido por telefone a chegada dos dois assim que desembarcaram em São Paulo e seguiam para o Hospital Beneficiência Portuguesa, onde a criança será submetida a uma cirurgia delicada. Cauê foi levado a capital paulista por intermédio da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab).

Diagnóstico

Cauê durante transferência para São Paulo

(Foto: Reprodução/TV Bahia)

  Cauê tem uma doença rara no coração, chamada hipoplasia. O lado esquerdo do coração dele é menor que o direito, o que impede que o sangue seja bombeado para o restante do corpo. O pai conta que o problema de saúde só foi detectado no segundo dia de vida do bebê. "Minha mulher teve uma gravidez super tranquila, os exames não apontaram nada disso", afirma.

Alessandro lembra que quase 48 horas depois do parto cesáreo, realizado no dia 31 de julho, o casal se aprontava para deixar a maternidade do Hospital Português, em Salvador, quando a criança começou a apresentar sintomas de insuficência cardíaca, ficando com o corpo roxo e falta de ar. "Minha mulher e Cauê já tinham recebido alta, inclusive, ele tinha mamado normalmente. A médica até hoje não sabe como ele encontrou forças para isso diante desse problema tão grave no coração. Quando vi ele daquele jeito, chamei os médicos e ele foi levado direto para a UTI", relata.

A cardiopediatra Zilma Verçosa, que fez o diagnóstico da doença em Cauê, explica que a hipoplasia poderia ter sido detectada através de um exame chamado ecocardiograma fetal. "A melhor maneira de se transportar uma criança nessas condições é na barriga da mãe, antes dela nascer", explica. A especialista acrescenta que a maneira correta de tratar crianças com hipoplasia é quando elas já nascem em uma unidade especializada e passam por cirurgia nas primeiras horas de vida.   Segundo o pai de Cauê, na ultrassom morfológica, exame que apontaria a necessidade do ecocardiograma fetal, não houve indicação de que a mãe teria de passar por um novo exame. Alessandro e Tâmara não sofrem de doença cardíaca.

Luta para transferência

Cauê nasceu no Hospital Português, em Salvador, e assim que teve o problema detectado foi solicitada a transferência dele para o Hospital Santa Izabel, que também fica na capital baiana, e atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O bebê só foi transferido para a unidade de saúde no dia 30 de agosto, mas o hospital não tem estrutura para a cirurgia.

A médica que cuida do bebê conseguiu uma autorização para fazer o procedimento no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, e a Secretaria Estadual da Saúde da Bahia cedeu uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea. Mas como o plano do menino não cobre a cirurgia em outro estado, ele precisaria ter o nome incluído na Central Nacional de Regulação da Alta Complexidade (CNRAC), e fazer o procedimento pelo SUS. Na quinta-feira (1º), Cauê conseguiu ter o nome incluso no CNRAC.              

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