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'Me escondi com medo', diz vigia sobre tiro que matou aluno na USP

'Me escondi com medo', diz vigia sobre tiro que matou aluno na USP

Atualizado: Quinta-feira, 19 Maio de 2011 as 12:19

Kleber Tomaz Do G1 SP

imprimir  “Ouvi um tiro e me escondi com medo de ser atingido”, disse o vigilante da USP que afirma ter escutado o disparo que matou o estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, por volta das 22h da noite de quarta-feira (18), dentro de seu carro no estacionamento da universidade, na Zona Oeste da capital paulista. A testemunha do crime só aceitou falar com o G1 no fim da manhã desta quinta (19) sob a condição de que seu nome não fosse divulgado.

O aluno cursava o 5º ano de ciências atuariais na Faculdade de Economia e Administração (FEA), no campus do Butantã. O assassino fugiu. O caso foi registrado no 91º Distrito Policial, no Ceasa, mas será investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Aparentemente, nenhum pertence de Paiva foi levado pelo criminoso. Apesar disso, a Polícia Civil não descarta a hipótese de ele ter reagido a uma tentativa de assalto. Também será levantado se ele estava sendo ameaçado por alguém. Câmeras de monitoramento de vigilância da USP serão verificadas para saber se gravaram imagens de suspeitos do crime.

Vigilante

Na elaboração do boletim de ocorrência, o vigilante “informou ter ouvido um disparo e se abrigado por temer ser atingido”. Nesta manhã, ele confirmou ao G1 essa versão.

  “Estava fazendo ronda pelo bolsão do estacionamento e ouvi um tiro. Não sabia se era briga ou assalto. Como nós vigilantes não andamos armados, eu me escondi. Não podia fazer nada ali naquele momento a não ser ligar para a base da vigilância e alertar do ocorrido. Fiz isso na hora em que me abaixei atrás dos carros. E só me escondi, me abriguei, com medo de morrer”, disse o vigilante.

De acordo com a única testemunha do crime até agora, não foi possível identificar quem atirou em Paiva. “Eu estava cerca de 30 metros distante do carro do aluno baleado. Além disso, estava muito escuro porque a iluminação naquele lugar do estacionamento não é muito boa”, disse o vigilante. “Depois do disparo, vi um carro grande e escuro sair em alta velocidade por um lado e um vulto, como de uma pessoa correndo no sentido contrário, em direção ao portão 2”.

  Indagado se tem condições de identificar ou fazer um retrato falado do criminoso, o vigilante afirmou que não conseguiria fazer isso. “Não dá. Estava muito escuro. Mesmo assim, quero ajudar no que for possível para dar pistas à polícia que possam chegar ao criminoso”.

Segundo o vigilante, nos três anos em que trabalha na USP, essa foi a primeira vez que ele viu um crime tão brutal. “Sempre soube de casos de roubos de veículos de alunos e assaltos dentro dos ônibus, mas nunca presenciei um assassinato.”

Ele ainda conta com emoção a reação que teve ao ver o aluno caído dentro do carro Passat, de cor preta, ano 1999. “Depois de ouvir o tiro, me esconder e ligar para a base da vigilância contando o que ocorreu, fui ao carro do aluno. Ele estava caído. Não toquei nele. Ele estava caído e imóvel. Não sei se estava vivo ou morto. Foi horrível”.

Segundo o vigilante, ele não tem poder de polícia e, por esse motivo, não pode perseguir criminosos ou se colocar em situação de risco. "Meu trabalho de vigilância é patrimonial."

Demora

Policiais militares ouvidos pelo G1 disseram que a vigilância da USP demorou para avisar à PM sobre a ocorrência do aluno baleado dentro do estacionamento. Segundo os policiais, eles estavam próximos dos portões e poderiam ter impedido a saída do criminoso se tivessem sido avisados com antecedência.

O boletim de ocorrência número 2648 feito no 91º DP mostra que o crime ocorreu às 22h, mas só foi comunicado às 22h32. O boletim foi feito às 22h38. O G1 não conseguiu localizar a assessoria de imprensa da USP para comentar o assunto.

Depoimento

Casado e pai, o vigilante não deverá trabalhar nesta quinta porque poderá ser ouvido pelo DHPP, no Centro de São Paulo, para prestar mais esclarecimentos sobre o crime.

Peritos informaram ao G1 que a perícia deverá ser feita na sede da Polícia Técnico Científica, no Butantã. O motivo seria o fato de que a perícia especializada do DHPP deixou o prédio do Departamento de Homicídios há mais de uma semana. A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo foi procurada para comentar a informação, mas até as 11h30 desta quinta-feira não havia retornado.          

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