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Médicos de SP decidem paralisar atendimento de dez planos de saúde

Médicos de SP decidem paralisar atendimento de dez planos de saúde

Atualizado: Sexta-feira, 1 Julho de 2011 as 1:55

Os médicos do Estado de São Paulo decidiram nesta quinta-feira (30) paralisar, em sistema de rodízio, o atendimento de dez planos de saúde, dentro de 30 dias. A assembleia estadual que tomou a decisão ocorreu nesta quinta-feira (30) na sede a Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD), com participação da Associação Paulista de Medicina, Cremesp, sindicatos, academias e sociedades das 53 especialidades médicas. A FenaSaúde, que responde por três dos planos atingidos, diz que” suas afiliadas estão entre as operadoras que melhor remuneram os médicos”.  

A suspensão do atendimento se dará, de acordo com a Associação Paulista de Medicina (APM), inicialmente no esquema de rodízio de sequências de especialidades médicas, no qual cada especialidade para de atender em uma determinada semana durante três dias. São 53 especialidades médicas. O esquema de rodízio, segundo a APM, se dará por tempo indeterminado até que os planos apresentem propostas, já que os médicos permanecem abertos à negociação. As urgências e emergências não vão sofrer interrupções, de acordo com a associação.

Segundo o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Jorge Curi, a decisão é decorrente de tentativas frustradas de negociações com as operadoras de saúde. “Essa foi a [assembleia] mais aberta, onde se convidou todos os médicos para tomar uma deliberação. Depois do dia 7 de abril, foi dado um tempo de 2 meses para que as operadoras fizessem proposta de reajuste, com a sensibilidade de recuperação gradativa de valor. As que apresentaram proposta vamos continuar atendendo, as outras vamos ter que paralisar pontualmente. Mas continuamos abertos a propostas”, disse.

De acordo com ele, em torno de 110 mil médicos atendem o Estado São Paulo e metade deles por meio de planos. Curi defende que existe uma defasagem nos valores do pagamento das operadoras aos médicos. “Existe uma defasagem grande de 10, 12 anos de pagamento dos planos aos médicos. Houve uma inflação de 150% nesse período e as consultas ou não foram reajustadas ou, quando foram, essa porcentagem foi de até 60% para consultas e de até 40% para cirurgias”, disse.

Segundo ele, a categoria não quer prejudicar os usuários. “Os médicos ficam inviabilizados de atender. Queremos uma ação controlada para não haver tantos danos à população. Já existem danos, nas marcações de consultas e cirurgias, por exemplo”, disse.

De acordo com Curi, no estado, pelo menos 15 milhões de pessoas têm plano e em torno de três milhões desses usuários vão deixar de serem atendidos parcialmente. “Hoje um médico recebe entre R$ 25 e R$ 40, ou até menos por consulta. Pedimos R$ 80 a R$ 100, não de forma imediata, mas em uma progressão. Ninguém consegue manter um consultório com esse valores de hoje”, afirmou.

Os planos que terão atendimento paralisados são: Gama Saúde, Porto Seguro, Intermédica, Green Line, Notredame, ABET (Telefônica), Caixa Econômica Federal, Cassi (Banco do Brasil), Companhia de Engenharia de Trafego (CET) e Embratel.

  Operadoras de saúde

Em nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que congrega 15 dos maiores grupos de operadoras de planos de saúde, de um total de 1.420 operadoras em atividade no país, afirmou: "A Federação vem participando ativamente dos fóruns de debates sobre honorários médicos, liderados pela ANS, e também das câmaras técnicas da AMB (Associação Médica Brasileira) e reitera a confiança nas lideranças médicas e no conjunto dos milhares de profissionais que escolheram integrar a rede credenciada de prestadores médico".

A Federação responde, entre os planos que terão atendimentos paralisados, por Intermédica, Notredame e Porto Seguro.          

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