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Médicos dizem que irão suspender por 24h consultas por plano de saúde

Médicos dizem que irão suspender por 24h consultas por plano de saúde

Atualizado: Terça-feira, 5 Abril de 2011 as 3:33

Um protesto dos médicos credenciados por operadoras de planos de saúde prevê a suspensão por 24 horas, na quinta-feira (7), dos atendimentos de consultas e procedimentos eletivos – os casos de emergência serão tratados normalmente. A manifestação acontecerá em todo o país.

O presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Jorge Carlos Machado Curi, afirma que o objetivo é alertar a população sobre a “defasagem grave de honorários médicos”. “Não é uma coisa que tem a intenção de provocar dano ao paciente. É um dia de reflexão sobre o assunto, para externar tudo o que está acontecendo, que é grave”, disse. Os pacientes com consultas previamente agendadas terão as datas remarcadas.

Segundo o presidente da APM, alguns médicos chegam a receber R$ 25 por consulta, e a média de pagamento pelos planos de saúde fica entre R$ 35 e R$ 40. “Entendemos que o menor valor devia ser em torno de R$ 65. Seguramente, em São Paulo deveria estar em torno de R$ 80 a R$ 100”, afirmou, explicando que os custos de vida na cidade precisam ser levados em conta, porque o profissional paga, por exemplo, aluguel do consultório.

O protesto é coordenado pela Associação Médica Brasileira (AMB), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam). Segundo dados dos organizadores, 160 mil médicos em todo o país atendem pacientes de planos de saúde – cerca de 45 milhões de brasileiros. Nos consultórios desses médicos, em um mês típico, 80% das consultas são realizadas por meio de plano de saúde.

Manifestações devem acontecer em diversas capitais. Em São Paulo, os médicos marcaram uma passeata para a manhã de quinta-feira. Os profissionais irão se reunir às 9h30 na sede da APM, na Rua Francisca Miquelina, e irão caminhar até a Praça da Sé.

A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) informou, por meio de nota, que “o movimento dos médicos é aceitável, desde que não prejudique o atendimento aos beneficiários dos planos de saúde”. Porém, disse que “não faz parte de suas atribuições discutir remuneração a prestadores de serviços – sejam médicos, hospitais ou laboratórios”. “É livre a negociação entre as partes sobre os serviços a serem prestados. A remuneração é variável tanto sobre os valores acordados como também sobre quaisquer outras particularidades do relacionamento entre operadoras de planos de saúde e seus prestadores de serviços”, explica a nota.      

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