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Médicos paralisam atendimento a quatro planos de saúde no DF

Médicos paralisam atendimento a quatro planos de saúde no DF

Atualizado: Quarta-feira, 21 Setembro de 2011 as 8:37

Os médicos do Distrito Federal suspendem nesta quarta-feira (20), durante 24 horas o atendimento de consultas e cirurgias eletivas dos planos de saúde Amil, Bradesco Saúde, Golden Cross e Sul América . O atendimento de urgência será feito normalmente, de acordo a comissão.

O movimento ocorrerá em 23 estados do Brasil, além do Distrito Federal. Cada unidade da federação elegeu os planos médicos alvos. No Distrito Federal, 626.316 pessoas têm planos de saúde. Das quatro empresas que serão alvo do boicote são 210.930 clientes.

Este é a segunda paralisação no atendimento a planos de saúde este ano. O primeiro boicote foi realizado em 7 de abril. “Esta paralisação vai abranger as operadoras que os estados definiram que não negociaram ou que negociação não foi satisfatória.

Nesta terça, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde),entidade que congrega 15 dos maiores grupos de operadoras de planos de saúde do país, divulgou nota em que diz que as empresas filiadas à entidade “estão entre as que pagam os maiores honorários aos médicos”.

Segundo a entidade, os reajustes pagos aos médicos por consultas variaram entre 83,33% e 116,30% de 2002 a 2010, contra uma inflação de 56,68% no mesmo período.

Algumas operadoras não acreditam que médicos podem radicalizar e não apresentaram proposta de reajuste, mesmo tendo tido reajuste da ANS para os usuários dos planos”, afirmou o secretário de Saúde Suplementar da Federação Nacional dos Médicos, Márcio Bichara, em vídeo gravado em site do movimento.

Representantes da Comissão Nacional de Saúde Suplementar, formada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Médica Brasileira (AMB) e da Federação Nacional de Médicos (Fenam), informaram que a medida é devida aos baixos honorários repassados pelos planos aos profissionais.

De acordo com o presidente da Associação Médica Brasileira, Florentino Cardoso, a média nacional paga pelos planos de saúde aos médicos é de R$ 40 por consulta. Eles querem ao menos R$ 60 por consulta. Segundo ele, o maior valor pago é R$ 80; o menor é de R$ 15.

"R$ 40 é menos que um corte de cabelo na Zona Sul do Rio de Janeiro", disse o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Aloísio Tibiriça.

Cardoso aponta que a inflação acumulada nos últimos dez anos foi de 120%. O reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde (ANS) aos planos no mesmo período, disse ele, foi de 150%, enquanto os honorários médicos não teriam atingido 50%.

Para o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Aloísio Tibiriça, pacientes também têm sido prejudicados pelas práticas dos planos de saúde. “A política de contenção de gastos das operadoras prejudica os médicos e também os pacientes. O atendimento da rede privada está chegando perto do SUS [Sistema Único de Saúde]”, comentou.

Durante o dia de protesto, a partir das 8h da manhã, médicos do DF se concentrarão na praça central do Centro Clínico Sul, localizada no Setor Hospitalar Sul. Ao fim da paralisação, às 20h, a categoria se reunirá em assembleia na Associação Médica de Brasília (AMBr) para definir se suspenderão o atendimento por período mais longo e eleger os novos planos de saúde alvos do movimento.

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