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Médicos protestam no Rio contra baixos salários do SUS

Médicos protestam no Rio contra baixos salários do SUS

Atualizado: Terça-feira, 25 Outubro de 2011 as 1:58

Médicos protestam na Alerj (Foto: Lilian Quaino/G1) Médicos do Rio estão reunidos na manhã desta terça-feira (25) na frente da Assembleia Legislativa, no Centro, para protestar contras as condições de trabalho e de salários nos hospitais atendidos pela rede do Sistema Único de Saúde (SUS).

Enquanto em outros estados a cagegoria paralisou as atividades nesta terça, os profissionais do Rio optaram apenas pela manifestação para não prejudicar a população, segundo explicou Erika Monteiro Reis, 2ª vice-presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremerj)

"Decidimos não paralisar as atividades porque a situação no Rio é crítica. A saúde está arrasada em todos os estados. Faltam recursos humanos e leitos para emergêencias e para pessoas que estão em tratamento".

Erika explicou que nos hospitais federais do Rio faltam pelo menos 500 médicos. Para ela, o hospital com mais problemas hoje é o Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, que tem fechado setores por falta de médicos.

Ela disse ainda que pesquisou três hospitais municipais: Salgado Filho, na Zona Norte; Lourenço Jorge. na Zona Oeste; e Souza Aguiar, no Centro, e, segundo disse, em cada um deles faltam pelo menos 30 médicos de especialidades variadas nas emergências.

Ministro promete mais médicos

Na sexta-feira (21), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve no Rio para um evento internacional de saúde e informou que 17 médicos anestesistas que passaram em concurso começam a trabalhar no Cardoso Fontes em, no máximo, duas semanas e que negocia com o Ministério do Planejamento novas contratações.

Segundo Erika, nos hospitais públicos, os profissionais concursados não passam de 50% e os demais são estatutários que ganham de R$ 1.500 a no máximo R$ 5 mil. Ela explicou que é grande a evasão dos concursados em busca de melhores salários.

"A prefeitura quer fazer concurso para médicos pagando R$1.500. Ninguém quer se inscrever", disse.

Ela explicou que o salário proposto pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam) é de R$ 9.182,72. Segundo o Cremerj, o estado do Rio tem 57 mil médicos.

Audiência pública

Os representantes do Cremerj se reuniram no início da tarde com o deputado Bruno Corrêa (PDT), presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa para, num debate público, relatar os problemas da saúde pública. No dia 31, a comissão discutirá, em audiência pública, o combate à dengue no estado. O deputado convidou os representates do Cremerj para participarem do encontro.

A presidente do Cremerj, Marcia Rosa de Araújo, disse ao deputado que a categoria ainda luta pelas mesmas reivindicações que levaram a categoria à greve de 1981: realização de concursos públicos, melhorias salariais, entre outras.

"É inaceitável que o bom momento econômico do Brasil não seja refletido em melhorias para a saúde pública, que continua subfinanciada com apenas 3% do PIB", disse ela.

Paralisação

A Fenam confirmou na manhã desta terça-feira que os médicos que realizam atendimento pelo SUS devem paralisar as atividades em 22 estados em protesto contra a baixa remuneração e as más condições de trabalho da rede pública de saúde. Serão suspensos os atendimentos eletivos (consultas, exames e outros procedimentos). A rede de emergência e urgência está mantida.

Segundo a federação, os estados que aderiram são: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe.          

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