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Menos de 1% das abordagens feitas na região conhecida como cracolândia, resultaram na internação de dependentes químicos

Menos de 1% das abordagens feitas na região conhecida como cracolândia, resultaram na internação de dependentes químicos

Atualizado: Sexta-feira, 4 Janeiro de 2013 as 8:51

 

Menos de 1% das abordagens feitas na região conhecida como cracolândia, no centro de São Paulo, resultaram na internação de dependentes químicos. Das 152.995 intervenções de saúde e de segurança feitas durante a Operação Centro Legal, que completa um ano nesta quinta-feira (3), 1.363 (0,8%) foram revertidas na reabilitação dos usuários de crack. 
 
Outros 13.004 dependentes químicos, segundo dados da Secretaria do Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania, foram encaminhados para serviços de saúde. O encaminhamento, no entanto, não significa que o usuário tenha procurado ajuda médica, tampouco que ele tenha sido internado.
 
A ação da Polícia Militar deflagrada em janeiro para tentar combater o tráfico de drogas na cracolândia e retirar os dependentes químicos da região gerou críticas do Ministério Público do Estado e de entidades de Direitos Humanos, que apontaram a intervenção como ineficiente para a recuperação dos usuários de drogas.
 
Ao fazer um balanço sobre a operação, após a inauguração do Bom Prato da região de Perus, no noroeste da capital paulista, nesta quinta-feira, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), disse ter consciência do problema no Estado e afirma saber que não será resolvido rápido. "É uma tarefa permanente, mas já diminuiu muito. É uma tarefa permanente, que vamos continuar."
 
TRÁFICO NA ÁREA CENTRAL DE SÃO PAULO IGNORA AÇÃO DO ESTADO
 
O governo de São Paulo passará a fazer internações involuntárias de dependentes de crack no Estado, ou seja, sem a necessidade do consentimento do usuário da droga. A previsão é que a ação comece em dez dias, na região da cracolândia do centro da capital paulista.
 
Um grupo de juízes, promotores e advogados poderá determinar a internação dos dependentes, a partir da orientação de uma equipe médica, mesmo que os usuários recusem o tratamento. Diferentemente do que foi feito no último ano, que a internação do dependente só era realizada mediante seu consentimento.
 
A ação será detalhada na próxima semana pela Secretaria de Justiça, pela Secretaria de Desenvolvimento Social e pela Secretaria de Saúde do Estado. O governo estuda se a internação involuntária valerá somente para adultos ou também para menores de idade.
 
Liminar contra ação da Polícia Militar
 
No dia 31 de julho do ano passado, a Justiça concedeu ao Ministério Público do Estado liminar na qual impedia a Polícia Militar de São Paulo de expor dependentes químicos da região da cracolândia, na região central de São Paulo, a situação "vexatória, degradante ou desrespeitosa".
 
Conforme a ação do MP, a operação policial na região usou truculência e violência ao dispersar os dependentes químicos para outras regiões da capital, "criando dificuldades para o trabalho de agentes de saúde e assistência social, sem apresentar resultados efetivos seja para promover a recuperação dos usuários de drogas, seja para combater o tráfico".
 

 

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