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Mesmo com o fim da entressafra da cana, preço do etanol não cai em MS

Mesmo com o fim da entressafra da cana, preço do etanol não cai em MS

Atualizado: Quinta-feira, 12 Maio de 2011 as 1:25

  Com o fim da entressafra da cana os preços do etanol e da gasolina deveriam estar caindo nos postos de combustíveis. Mas por enquanto, isso não está acontecendo nos postos de Mato Grosso do Sul. O preço médio do etanol em Campo Grande, de acordo com a última pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP) fechado na semana de 1 a 5 de maio, oscilava entre R$ 2,190 a R$ 2,590. Três Lagoas, a 330 km de Campo Grande, registrou o etanol mais caro do estado (R$ 2,598) entre as cidades pesquisadas.

Para consumidor que precisa usar o carro não encontra outra saída se não gastar mais. E a pergunta que fica é: Onde está a explicação para tantos aumentos seguidos?

No Brasil, a gasolina tem 25% de etanol anidro. Essa mistura pode ser menor, mínimo de 18% na mistura. E quando etanol sobe, a gasolina também aumenta. Para quem produz o etanol os últimos três anos afetaram toda a cadeia produtiva. Em 2008 a crise mundial freou investimentos e muitos novos projetos e ampliações não saíram do papal. O setor que crescia 10% ao ano estagnou em 3%. E a capacidade de produção não foi aumentada.

Nas duas últimas safras muita chuva e seca provocaram a queda na produção. Mato Grosso do Sul produziu 14 milhões de toneladas de cana a menos que o esperado. Menos cana, menos etanol. Isso em um momento em que o consumo só aumentou. O presidente da Associação de Produtores de Bioenergia de MS (Biosul), Roberto Holanda, afirma ainda que tudo coincidiu com o pico da entressafra.

O presidente do Biosul disse também que o aumento do preço do açúcar no mercado internacional não foi o que fez aumentar o preço do álcool. Segundo ele, a produção de açúcar em MS aumentou apenas 3 %.

De acordo com a ANP, em Mato Grosso do Sul em março, o preço do litro da gasolina na pauta da Agência era de R$ 2,83. Desse total, mais de um real são de impostos (Cide, PIS/Confins e ICMS). Sem somar aí a margem de lucro de cada setor da cadeia produtiva.

O sindicato dos donos de postos de combustível (Sinpetro) informou que na quarta-feira recebeu da distribuidora o etanol por R$ 2,03 o litro. Nas bombas os valores sobem mais um pouco. O Sinpetro defende a livre concorrência no preço e uma investigação para saber ao certo em que fase da produção o combustível fica mais caro. Marcos Villalba, diretor do sindicato quer saber o preço que sai da usina, preço que chega na distribuidora e os preço que chega aos postos.

Agora que o período da entressafra já passou a tendência é o preço do etanol diminuir. Mas na prática essa redução não é tão grande. Sozinha a gasolina respondeu por 0,77% no aumento da inflação medida em abril pelo IPCA. O governo federal já está em alerta: quer uma redução de 7 a 10%, e pra isso determinou que os 7 mil postos da Petrobras reduzam o preço nas bombas e puxem pra baixo o preço final. Mas isso ainda não aconteceu de fato.

Em meio a essa situação ficam os motoristas que precisam abastecer e a cada semana sentem a diferença no preço dos combustíveis. Eles não entendem porque em uma semana o preço pode oscilar tanto. O coordenador de obras, Gilberto Franco afirma que encontrou o preço da gasolina de R$ 3,10 a R$ 3,15 em alguns postos de Campo Grande.

Para quem defende o consumidor o caminho é um só: Investigar a formação de preço do combustível. O superintendente do Procon em MS, Lamartine Ribeiro, defende a atuação do Ministério Público para investigar a formação de preços.        

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