Metalúrgico que devolveu bolsa recebeu R$ 250 e presentes

Metalúrgico que devolveu bolsa recebeu R$ 250 e presentes

Atualizado: Quarta-feira, 15 Dezembro de 2010 as 5:13

O metalúrgico Carlos Maia Barbosa, de 28 anos, teve seu dia de fama ao receber elogios no trabalho e uma inesperada cesta de Natal do chefe. Tudo porque achou e devolveu à diplomata Kerstin Suhling, vice-cônsul da Alemanha no Rio, a bolsa dela com R$ 2 mil, joias, documentos e celular. A mulher perdeu os objetos em uma rodovia, na altura de Taubaté, a 140 km de São Paulo. Dela o metalúrgico recebeu R$ 250, um vinho, uma agenda e um pingente com a bandeira do Brasil e da Alemanha.

Questionado se estava satisfeito com os presentes, Barbosa respondeu: “Sim. É justo. Eu nem esperava nada. Só esperava que ela estivesse viva, bem". "Meu medo era ela ter sido sequestrada. Passou muita coisa na minha cabeça”, contou o metalúrgico, na tarde desta quarta-feira (15).   O caso aconteceu no domingo (12), quando Kerstin voltava de carro de São Paulo para o Rio e acabou se perdendo na Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, onde entrou por engano. A diplomata contou que pediu informação a uma pessoa no acostamento e acredita que nesse momento tenha deixado a bolsa cair. “Acho que caiu quando abri a porta do carro”, disse.

Pouco depois, Barbosa passou de bicicleta pelo canteiro da direita e contou ter avistado a bolsa. Tinha acabado de deixar a mulher no trabalho. Ele só viu tudo o que tinha ali dentro assim que chegou em casa e jura não ter caído em tentação. “A todo momento eu pensei em devolver. Vi os documentos. Imaginei onde a pessoa poderia estar.” O metalúrgico, que levou a sacola para a delegacia, contou ter sido uma possível vítima da desonestidade de alguém. “Perdi R$ 100 ao sair do banco. Não tive o dinheiro devolvido.”

Presente do chefe

Após devolver a bolsa, a recompensa veio até de quem ele menos esperava. “Ganhei uma cesta de Natal do meu chefe. E eu nem tenho direito porque sou terceirizado. Na firma, o pessoal agradeceu, elogiou”, disse o metalúrgico, que também precisou conter o nervosismo ao saber que a própria alemã estava na empresa para dizer obrigado. “Fiquei muito surpreso, começou a me dar tremedeira”, revelou.

Por telefone, Kerstin não escondeu a alegria em reaver a bolsa com tudo dentro. “Fiquei feliz, feliz. Normalmente, não existem pessoas que são honestas”, afirmou a diplomata, com seu sotaque alemão. O encontro com Barbosa foi na terça (14). “Hoje em dia, encontrar uma pessoa assim é difícil. Foi uma sorte grande.” Questionada se na Alemanha a história dela teria o mesmo final, brincou: “Nunca se sabe”.

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