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Metrô de São Paulo tem poucas conexões entre linhas, diz estudo

Metrô de São Paulo tem poucas conexões entre linhas, diz estudo

Atualizado: Quarta-feira, 23 Março de 2011 as 9

Um estudo feito pelo arquiteto e especialista em transporte de alta capacidade Marcos Kiyoto constatou que o atual desenho do transporte sobre trilhos (metrô e trem) de São Paulo não privilegia as conexões. A pesquisa foi apresentada, no início de março, durante evento realizado pela Rede Nossa São Paulo (movimento não governamental de políticas públicas).

Na análise, o arquiteto comparou o atual sistema de trilhos de São Paulo com os existentes em Londres (Inglaterra), Paris (França) e Cidade do México (México). Kiyoto constatou que a rede de São Paulo é a que possuo o pior número de conexões por linha.

Atualmente, o Metrô e a CPTM (Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos)  juntos têm 16 conexões para 12 linhas, o que dá uma média de 1,3 conexão por linha. No estudo, as conexões das estações Ana Rosa e Paraíso - onde as linhas 1-Azul e 2-Verde se cruzam - foram contabilizadas como uma só, já que ambas fazem a mesma ligação. Já na capital inglesa, a média é de 3,4 conexões por linha; em Paris, de 3,2; e na Cidade do México, de 2,1.

No estudo, o arquiteto informa que é considerado péssimo quando o sistema de transporte sobre trilhos tem uma relação conexão/linha abaixo de um. O nível do transporte é médio quando a relação fica entre um e dois, e adequado quando fica acima de dois.

Kiyoto explica que Londres e Paris são tidas como exemplos de cidades que possuem bons metrôs. Cidade do México é tradicionalmente usada em comparações com São Paulo por causa das características socioeconômicas similares entre as duas cidades, além do fato de ambas terem iniciado a construção da rede metroviária na mesma época.

Superlotação Para Marcos Kiyoto, a consequência direta do baixo índice de conexão nas linhas do Metrô e CPTM é a superlotação. Segundo ele, o governo leva em conta - como fator para minimizar o número de passageiros nos vagões - apenas velocidade e intervalo dos trens, mas a capilaridade da rede também é uma característica importante.

– Um exemplo claro disso é a linha Vermelha. É uma boa linha, mas, como há poucas opções para o deslocamento leste-oeste, ela fica cheia. O arquiteto Fábio Pontes concorda com Kiyoto, e ressalta que mais conexões significam "mais opções para o usuário".

  Mesmo que o atual plano de desenvolvimento da rede do Metrô seja cumprido pelo governo, ao final do trabalho, a "capilaridade" do sistema ainda continuaria sendo avaliada como média: seria de 1,6 conexão por linha.

Embora concorde com a análise de Kiyoto, Moreno Zaidan Garcia, arquiteto e urbanista do escritório 23sul, diz acreditar que o mais importante para o transporte é ter uma "quilometragem mínima".

– Mesmo tendo um desenho bom, a gente precisa de uma quantidade mínima de Metrô porque sem essa extensão total você não consegue fazer muitas conexões.

Garcia conta que "o ideal" hoje para São Paulo seria ter cerca de 200 km de trilhos de Metrô e, daqui a 20 anos, construir mais 80 km.      

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