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Metroviários e parentes de vítimas protestam em nova estação do Metrô

Metroviários e parentes de vítimas protestam em nova estação do Metrô

Atualizado: Segunda-feira, 16 Maio de 2011 as 11:07

Kauã, filho do cobrador Wescley, que morreu no acidente em 2007, foi com a mãe à manifestação. (Foto: Juliana Cardilli/G1)

  Duas manifestações ocorriam na manhã dessa segunda em frente à Estação Pinheiros do Metrô, na Zona Oeste de São Paulo, prevista para ser inaugurada às 10h pelo governador paulista, Geraldo Alckmin. Lado a lado, integrantes do Sindicato dos Metroviários e parentes das sete pessoas que morreram em um acidente ocorrido no local durante a construção da obra, em 2007, faziam suas reivindicações.     Assim como em outras inaugurações de estações recentemente, os integrantes do sindicato pediam com faixas e apitos “Metrô público, estatal e de qualidade” e se diziam contrários às parcerias público-privadas no setor. Já os parentes das vítimas relembravam a tragédia ocorrida há sete anos e pediam mais assistência do governo.

Thaís Ferreira Gomes, de 24 anos, foi ao local com o filho Kauã. Ela era casada com o cobrador cobrador Wescley Adriano da Silva, uma das vítimas da tragédia, e estava grávida de sete meses na época. Ela cobrou a instalação de pelo menos uma placa que relembrasse os mortos na estação. “O mínimo que eles poderiam fazer é colocar uma placa com homenagem, mas nem o mínimo eles estão fazendo. Ia ser aqui na frente, mas não tem nada. O [José] Serra [governador na época do acidente] foi o primeiro a prometer”.

Integrantes do Sindicato dos Metroviários protestavam antes da inauguração da estação (Foto: Juliana Cardilli/G1)

  Thaís chegou a procurar na estação uma menção às vítimas, mas não encontrou nada. Ela, que chegou a ganhar uma indenização de RS 130 mil, foi ao local também para reivindicar uma ajuda para a mãe de seu marido morto. “Estamos aqui pela mãe do Wescley, que não recebeu nada, nem apoio psicológico”.

Inicialmente, a Estação Pinheiros funcionará de segunda a sexta-feira, das 4h40 às 15h, inclusive em feriados que caiam durante a semana, segundo a concessionária ViaQuatro, que opera a linha.

A integração com a Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que passa pela Marginal Pinheiros, está prevista para ocorrer em 30 de junho. A Pinheiros é a quarta estação da Linha 4-Amarela do Metrô a ser inaugurada. Em março, foi aberta a Estação Butantã. As estações Faria Lima e Paulista estão funcionando desde maio de 2010, todas ainda em fase de testes. A previsão é que a linha tenha 11 paradas, ao longo de quase 13 km, ligando a Luz, no Centro, à Vila Sônia.

A tragédia

Com o desabamento de parte do canteiro de obras, na tarde de 12 de janeiro de 2007, uma enorme cratera se abriu, engolindo veículos e pessoas que passavam pelo local. Logo no primeiro ano, de acordo com a Defensoria Pública do Estado, 61 acordos de indenização foram fechados com a Via Amarela, beneficiando 145 pessoas. Ainda há ações em andamento porque moradores do entorno perderam suas casas com o acidente.

Em janeiro de 2009, o Ministério Público de São Paulo denunciou 13 pessoas, entre funcionários do Metrô e do Consórcio Via Amarela, responsabilizando-os pelo desabamento das obras. A Justiça aceitou a denúncia e o processo foi aberto. Em março do ano passado, o desembargador Sydnei de Oliveira Jr., da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, suspendeu, em caráter liminar, a ação contra os 13 réus. O requerimento para a suspensão foi feito pela Via Amarela.

Em julho de 2010, por unanimidade, os três desembargadores que julgaram o mérito daquele habeas corpus revogaram a liminar e determinaram o prosseguimento da ação judicial, recomendando que as testemunhas fossem ouvidas.

Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, a audiência de instrução para a oitiva das testemunhas de acusação deverá ocorrer em setembro deste ano no Fórum de Pinheiros, na capital paulista.        

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