Milícia não controla mais Rio das Pedras, diz PM

Milícia não controla mais Rio das Pedras, diz PM

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:55

A milícia mais antiga do Rio de Janeiro pode está enfraquecida. Segundo o comandante do Gpae (Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais) da comunidade Rio das Pedras, em Jacarepaguá, na zona oeste carioca, capitão Ely Moreira, o grupo paramilitar que durante décadas exerceu domínio sobre os moradores não tem mais controle sobre o local.

De acordo com o oficial, que está no cargo desde o segundo semestre de 2009, a milícia não cobra mais taxas de segurança de moradores, comerciantes ou motoristas de vans em Rio das Pedras. Além disso, não há mais monopólio da distribuição de gás ou do sinal de TV a cabo.

- As distribuidoras Minas Gás e Supergasbrás já entram na comunidade, assim como os vendedores da Sky [operadora de TV por assinatura].

Moreira afirmou que o enfraquecimento da milícia se deu a partir de uma grande operação feita pela Polícia Civil, em novembro de 2009, que resultou na prisão de sete suspeitos de integrarem o grupo paramilitar em Rio das Pedras. Entre eles estava um líder comunitário apontado como o chefe da quadrilha e três PMs.

Outros suspeitos de comandarem o grupo (um major e um capitão reformado da Polícia Militar) foram presos nos últimos meses. Dois irmãos, que também integravam a cúpula do bando, permanecem foragidos.

O oficial afirmou ao R7 que, desde então, o Gpae conseguiu prender 18 integrantes armados no interior da comunidade. Segundo ele, os suspeitos seriam remanescentes de quarto ou quinto escalão da milícia.

De acordo com o comandante do Gpae, a própria população se voltou contra os grupos paramilitares. Uma das provas disso, segundo ele, é que o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que presidiu a CPI das Milícias da Assembleia Legislativa , teria sido um dos mais votados na comunidade nas últimas eleições.

Moreira citou ainda como exemplo de uma nova era na comunidade a realização de uma eleição direta para a associação de moradores de Rio das Pedras, que contou com a ajuda da Faferj (Federação das Associações das Favelas do Rio).

Segundo o oficial, desde que assumiu, houve apenas quatro homicídios na comunidade, todos por motivos passionais.

"Justiceiros"

A milícia atua no Rio das Pedras pelo menos desde a década de 1970. No início, o grupo era intitulado de "polícia mineira". Os integrantes tinham fama de "justiceiros" e "puniam" quem praticasse crimes ou usassem drogas no interior da comunidade.

Nos últimos anos, o perfil mudou e os antigos "justiceiros" passaram a explorar serviços na comunidade para garantir lucros. Segundo o relatório da CPI das Milícias, o grupo cobrava taxas de segurança de R$ 10 a R$ 50 dos moradores e entre R$ 50 e R$ 200 de comerciantes.

Pela distribuição de sinal de TV a cabo clandestina (gatonet), os milicianos cobravam R$ 18 mensais. Já os motoristas de transporte alternativo eram obrigados a pagar de R$ 270 a R$ 325 por semana para o grupo paramilitar.

Com o poder descentralizado, cada chefe controlava um determinado negócio só que, nos últimos anos, houve desavenças e disputas. Com isso, duas mortes ocorreram na cúpula da organização: a de um policial civil e a de um vereador.    

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