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Milicianos presos no RJ lucravam R$ 200 mil por mês, diz polícia

Milicianos presos no RJ lucravam R$ 200 mil por mês, diz polícia

Atualizado: Quarta-feira, 27 Julho de 2011 as 12:45

O grupo de milicianos presos nesta quarta-feira (27), que era dominado por um delegado federal aposentado, lucrava R$ 200 mil por mês com as atividades ilegais, que incluíam a cobrança de uma “taxa de proteção” de R$ 35 aos moradores da região da Taquara, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Ao todo, 17 pessoas foram presas, sendo que 16 tinham mandado de prisão expedido. Outros quatro suspeitos foram presos em flagrante. A operação prossegue até que sejam cumpridos os últimos três mandados de prisão.

A Operação Tríade foi deflagrada nesta manhã pela Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaeco).

Atividades ilegais

Além da taxa de proteção, as atividades da quadrilha incluíam grilagem de terras; exploração de serviços como fornecimento de gás, sinal de TV a cabo, sinal de internet e transporte alternativo; agiotagem; além de suspeita de homicídio e extorsão.

De acordo com o MP, os integrantes agiam ostensivamente na comunidade, exibindo armas e facões à luz do dia. Para que o domínio na região fosse pleno, os criminosos influenciavam na escolha dos presidentes das associações de moradores. Quem se negasse a pagar a taxa de segurança recebia a ameaça de que traficantes da região iriam invadir os imóveis.

Além dos mandados de prisão, a polícia cumpriu também 35 de busca e apreensão. Seis armas de fogos e 74 munições foram apreendidas. O nome da operação se refere ao fato de o grupo ser liderado por três policiais: um delegado aposentado da Polícia Federal, um comissário da Polícia Civil e um soldado da Polícia Militar.

De acordo com o delegado Alexandre Capote, titular da Draco, os milicianos denunciavam possíveis delatores ou testemunhas à delegacia local para desmoralizá-las e coagi-las. As denúncias eram de falsos crimes

“A quadrilha possuía uma estrutura similar a uma empresa, com papéis bem definidos e dentro dos papéis que cabiam estava o de tentar desmoralizar pessoas que ousaram enfrentar a milícia e ousaram não se submeter ao pagamento de taxa”, disse ele.

O MP informou ainda que os moradores que não se submetiam às regras impostas pelo grupo eram expulsos ou mortos pelos milicianos, que em seguida se apropriava dos terrenos das vítimas. Além dos homicídios, os paramilitares eram responsáveis por ocultação e destruição de cadáveres, torturas, estupros, lesões corporais graves e invasões de domicílio.

Delegado federal

O delegado aposentado foi preso em casa, em Jacarepaguá. Segundo o MP, ele é proprietário do sítio onde a quadrilha se reunia e organizava atividades. O policial estava com uma arara e um papagaio no momento da prisão.

Já o policial civil tinha, segundo o titular da Draco, o papel de “matador” da quadrilha e era o responsável pela segurança clandestina. O PM, que era do 20º BPM, controlava o transporte alternativo, o comércio de gás, jogos de azar, “gatonet” e outras atividades que geravam lucro para o bando.

"O policial civil impunha muito medo na região e decidia quem seria executado. Já o PM, tinha o papel da exploração das atividades que mais geravam lucros", explica Capote.

Ainda de acordo com o MP, adesivos com as iniciais do PM eram usados em vans e mototáxis para que os veículos circulassem sem repressão do batalhão local. A polícia informou que ele também exibia adesivos com o slogan “Humildade, Simplicidade e Justiça”.

Além dos três policiais, faziam parte do grupo guardas municipais, militares das Forças Armadas e advogados. Os suspeitos, segundo a polícia, agem há cerca de 13 anos, e a investigação começou há seis meses. Cento e vinte homens participam da operação.

Os mandados estão sendo cumpridos em Copacabana, na Zona Sul, no Recreio dos Bandeirantes, na Taquara, em Santa Cruz e em Campo Grande, na Zona Oeste, e em Marechal Hermes, no subúrbio.

Presos em flagrante

Dos quatro suspeitos presos em flagrante, dois foram por porte ilegal de armas. O terceiro suspeito foi detido por posse ambiental ilegal por estar com seis araras. Já o quarto preso usava um uniforme falso do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

Grupo agia desde 1998

De acordo com as investigações, o grupo criminoso atua desde 1998 nas localidades da Pedra Branca, Santa Maria, Pau da Fome, Estrada dos Teixeiras, Estrada do Rio Pequeno e Estrada do Rio Grande.

A Draco conta com o apoio do Gaeco, que ofereceu as denúncias, e também da Corregedoria Geral Unificada (CGU), da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança (Ssinte) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).            

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