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Militante histórica do PT chama Lula de "caudilho" e deixa partido em MG

Militante histórica do PT chama Lula de "caudilho" e deixa partido em MG

Atualizado: Quinta-feira, 10 Junho de 2010 as 9:21

Militante histórica do PT de Minas e primeiro petista a disputar o governo mineiro, em 1982, a ex-deputada federal Sandra Starling se desfiliou ontem do partido contrariada com o PT nacional e com o presidente Lula, a quem chama de ''caudilho''.

Após 32 anos de militância partidária, Starling, 66, não aceita a imposição do PT nacional ao diretório mineiro do partido, que não poderá lançar o ex-prefeito Fernando Pimentel para o governo de Minas e terá que se coligar com o PMDB do senador Hélio Costa, em nome da aliança pró-Dilma Rousseff.

Na tarde de ontem, logo após comunicar sua desfiliação ao juiz eleitoral de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte --documento que encaminharia também ao PT do município -, ela falou à Folha.

''É lamentável que o PT acabe refém de uma pessoa, que é o Lula. [Ele] Tem os seus méritos, mas todo mundo tem algum mérito; virou caudilho no partido, manda, desmanda, decide, todo mundo obedece. Não dá!''

Advogada e cientista política, Starling disse que Lula assinou o mesmo manifesto que ela na fundação do PT e que por isso ele ''sabe as regras do jogo: de baixo para cima, um partido onde o trabalhador tem vez e voz''.

Starling, que foi secretária-executiva do Ministério do Trabalho na primeira gestão Lula, declarou: ''Agora, que negócio é esse? Ninguém tem vez e voz? Estou fora''.

Ela disse que participou das prévias do PT entre Pimentel e o ex-ministro Patrus Ananias porque acreditou que era um jogo sério e por acreditar na vitória. ''Minas merece coisa melhor do que Hélio Costa e [o governador Antonio] Anastasia [PSDB]''.

Starling sai do partido achando que o PT-MG deveria resistir, a exemplo do que faz o PT do Maranhão pelos mesmos propósitos.

''O PT de Minas tem pessoas e figuras importantes que poderiam ter se unido para fazer uma resistência. Não é possível que essas coisas passem assim sem que ninguém proteste'', afirmou.

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