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Minas quer imunizar 1,4 milhão de crianças contra a poliomielite

Minas quer imunizar 1,4 milhão de crianças contra a poliomielite

Atualizado: Sexta-feira, 13 Agosto de 2010 as 9:10

Se naquela época as duas gotinhas existissem e estivessem tão acessível como hoje, a história de Lúcio Jorge de Paula Matos, de 44 anos, poderia ter sido diferente. Vítima do vírus da poliomielite quando tinha 4 anos, Lúcio ainda carrega as sequelas daquele tempo em que esse mal tinha força no território brasileiro. “Durante muitos anos, vivi a rotina das fisioterapias. O que ficou para sempre foi o meu lado direito prejudicado. Não consigo levantar o braço e ainda arrasto a perna direita”, lamenta ele, que se sente aliviado ao ver, todos os anos, a campanha nacional de vacinação contra a pólio. Amanhã é mais um dia para Lúcio se orgulhar, pois é dia de levar todas as crianças menores de 5 anos para receber a segunda dose da vacina contra a poliomielite. A mobilização, que leva o slogan “Não vai esquecer a segunda dose, hein?”, será feita em todo o Brasil e, em Minas Gerais, pretende imunizar cerca de 1,4 milhão de crianças, o equivalente a 95% de toda a população infantil.

Em 2010, o país celebra os 21 anos sem ocorrência da doença em território nacional, no entanto, para que esse quadro epidemiológico perdure, autoridades de saúde alertam para a queda na cobertura vacinal nos últimos anos: as doses não têm atingido tanto os pequenos como esperam autoridades. “Estamos há alguns anos sem bater a meta de vacinar 95% dessa parcela da população, que é o mínimo. Para ter uma ideia, em 2009, alcançamos 92% na primeira etapa e 93%, na segunda. No início deste ano, a história se repetiu: imunizamos apenas 1.359.872 de crianças, o correspondente a 92%. Assim, nosso receio é de que a pólio retorne ao Brasil”, alerta a coordenadora de imunização da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES), Tânia Brant.

Segundo a coordenadora da SES, a maior preocupação está na presença do poliovírus em quatro países de transmissão endêmica, ou seja, que têm transmissão constante. “De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), há registro de casos em 26 países. Na Índia, Nigéria, Paquistão e Afeganistão, a pólio ainda não foi erradicada. Hoje em dia, temos um intercâmbio muito grande de pessoas que circulam os quatro cantos do planeta, assim a doença fica ainda mais poderosa. Exemplo disso é o Tajiquistão, na Ásia Central, que estava com a enfermidade erradicada, mas, por ter se descuidado, já registrou 437 casos de poliomielite e 19 óbitos somente este ano”, ressalta Tânia.

O maior receio, segundo a especialista, é de que, como há muitos pais que não conheceram a pólio de perto, há quem não tema a doença e acaba não levando o filho para receber a dose da vacina, um erro que Lúcio Jorge de Paula acredita ser imperdoável. Para a segunda dose, ele já prepara a filha Laura, de 3 anos, para tomar as gotinhas. “É de extrema importância essa vacina, quem já foi vítima desse mal sabe o tanto que ele é cruel.”

A campanha segue até 20 de agosto. Na semana passada, quando ss 2,2 milhões de doses foram entregues aos 853 municípios de Minas, as crianças das áreas rurais e de difícil acesso foram as primeiras a serem vacinadas. “Sábado é a mobilização nacional, serão 7.285 postos fixos e volantes. São 2,2 mil veículos mobilizados para a ação e 26,5 mil profissionais em todo o estado”, ressalta Tânia. Em Belo Horizonte, a meta é vacinar aproximadamente 160 mil crianças, nos 147 centros de saúde e mais 275 locais para imunização, como igrejas, praças e escolas, com 3,4 mil profissionais envolvidos. Na primeira etapa, feita em junho, a capital protegeu 127, 2 mil crianças. O cartão de vacina deve ser levado. “Com ele em mãos podemos ver se as vacinas estão em dia e, se necessário, atualizá-lo”, acrescenta Tânia Brant, lembrando que aqueles que não tomaram a primeira dose em junho vão poder ser imunizados agora. A abertura da campanha na capital será no Centro Esportivo Milionários, na Região do Barreiro.

NO PAÍS Em todo o Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, a meta é vacinar, nesta segunda etapa, 14,6 milhões de crianças. Para isso, foram distribuídos 24 milhões de doses. No total, somando as duas etapas, foram distribuídos 48 milhões de doses. A primeira fase da campanha, realizada em 12 de junho, protegeu 14 milhões de crianças. O investimento da União, nas duas fases da campanha, foi de R$ 40,9 milhões – sendo R$ 20,8 milhões para comprar vacinas e R$ 20,1 milhões em repasses para as secretarias estaduais e municipais de saúde.

Fique ligado

Vacina

É oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é administrada via oral, em gotas, e está disponível durante todo o ano nos postos de saúde para a imunização de rotina. Pelo calendário básico de vacinação, os bebês devem receber a dose aos 2, 4 e 6 meses de vida. Aos 15 meses, as crianças recebem o primeiro reforço. Porém, é importante que todas as crianças menores de 5 anos (de 0 a 4 anos, 11 meses e 29 dias) recebam as duas doses durante a campanha, mesmo que já tenham sido vacinadas anteriormente.

A doença

A poliomielite é uma doença infecto-contagiosa grave. Na maioria das vezes, a criança não morre quando infectada, mas adquire sérias lesões que afetam o sistema nervoso, provocando paralisia, principalmente nos membros inferiores. A doença é causada e transmitida por um vírus (o poliovírus) e a contaminação se dá principalmente por via oral.

Serviço

Mais informações sobre a campanha pelo telefone 156 – (em Belo Horizonte)

No terminal rodoviário, no Centro de BH, haverá um posto de vacinação no auditório, localizado no último piso, das 8h às 17h. Para outras cidades, informações disponíveis nas secretarias de saúde do município.  

Postado por: Thatiane de Souza

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