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Minissérie inventa médico com talento de 'House' e poderes de 'Dr. Fritz'

Minissérie inventa médico com talento de 'House' e poderes de 'Dr. Fritz'

Atualizado: Quarta-feira, 11 Agosto de 2010 as 3:05

Espremida entre “Casseta & Planeta” e “Central da Copa”, a minissérie “A Cura” estreou nesta terça-feira sem tempo de explicar a que veio. Foi possível entender apenas que se trata de uma ficção de inspiração mística, passada em Diamantina, em dois tempos – 1766 e 2010 – e que os personagens centrais da trama são, respectivamente, um malvado explorador do garimpo e um descendente seu, um médico com poderes sobrenaturais. O fio que une as duas tramas parece ser um dos mistérios com que a minissérie acena para tentar fisgar o espectador. O apelo maior, no entanto, deve ser o talento mediúnico de Dimas (Selton Mello). De volta à cidade natal, o filho pródigo tem contas a acertar com o passado, por causa da morte de um amigo de infância, e sonha em salvar vidas, como cirurgião.

Impedido de praticar a sua especialidade, resta a Dimas ser um clínico geral. Tal como o experiente Dr. House, da série que leva o seu nome, o jovem médico de “A Cura” faz diagnósticos com muito maior precisão que seus colegas – a diferença é que o personagem da minissérie de João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein não usa apenas o raciocínio para chegar a deduções geniais, mas também “sente”, como se fosse uma incorporação do famoso Dr. Fritz, os problemas que afligem os pacientes.

Quanto a Silvério (Carmo Dalla Vecchia), o explorador do garimpo, há ainda menos a dizer. O primeiro capítulo da minissérie mostrou cenas sem pé nem cabeça, além de toscas, sobre o malvado personagem.

Mesmo dando um desconto para uma cena patética - um casal de médicos se beijando diante de um corpo ensanguentado no necrotério -, "A Cura" prometeu muito, mas entregou pouco em sua estreia.

Parece claro, de qualquer forma, que adeptos e simpatizantes das histórias do além haverão de apreciar o tom adotado pelo diretor Ricardo Waddington. A operação de apendicite realizada no hospital e a primeira cirurgia mediúnica praticada por Dimas, com a qual se encerrou o primeiro capítulo, parecem filmadas no mesmo registro realista, como se não houvesse nenhuma diferença entre elas, como se House e Fritz fossem a mesma pessoa.

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