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Ministério Público faz júri simulado do assassinato de Euclides da Cunha

Ministério Público faz júri simulado do assassinato de Euclides da Cunha

Atualizado: Quarta-feira, 11 Agosto de 2010 as 4:27

Em uma iniciativa inédita, a Escola Superior do Ministério Público de São Paulo realizou na manhã desta quarta-feira (11) um júri simulado de um dos grandes casos da memória jurídica nacional: o julgamento do cadete Dilermando de Assis, acusado pela morte do escritor Euclides da Cunha. O “julgamento” mobilizou 13 estagiários que fizeram os papéis de testemunhas, advogados e promotores.

O júri foi presidido pelo juiz Maurício Fossen, o mesmo do caso Isabella Nardoni, ocorrido em março deste ano. “É um grande prazer retornar a esse plenário. É uma bênção de Deus. Em um evento desses, é importante estimular os estagiários a abraçar com fervor essa carreira [de promotor público]”, afirmou o juiz. A simulação durou quase três horas e foi permeada por comentários sobre questões jurídicas e o dia a dia dos júris. Os estagiários do Ministério Público que atuam em diferentes comarcas tiveram que estudar para conhecer os detalhes do crime que aconteceu em 1909, no Rio de Janeiro.

“Tive que estudar bastante para incorporar o Dilermano, mas não decorei frases”, afirmou Pedro de Mattos Russo, que fez o papel do réu. “Deu para perceber o quão difícil é ser acusado. Ensinou-me a ter alguns cuidados”, disse o estagiário, que cursa o 4º ano de direito e atua na Promotoria de Várzea Paulista. Dilermano foi absolvido da acusação de homicídio qualificado, prevalecendo a tese de que o crime foi cometido em legítima defesa.

Os estagiários também se defrontaram com algumas dificuldades de participar de um júri. “A gente fica um pouco nervoso na hora. Às vezes, atropela alguma coisa na hora de falar”, observou o estagiário Rafael Henrique de Souza Victorio, de 24 anos. “O tempo para argumentação foi reduzido para 30 minutos, quando normalmente é de uma hora e meia”, salientou.

O dia 11 de agosto foi escolhido por ser o dia da inauguração dos cursos jurídicos no Brasil. “Escolhemos o juiz Maurício Fossen para presidir o júri pela serenidade com que ele conduziu o julgamento dos Nardoni, caso que comoveu a opinião pública, como aconteceu com a morte de Euclides da Cunha”, afirmou Eloisa de Sousa Arruda, procuradora de Justiça e diretora da Escola Superior do Ministério Público.

O evento aconteceu no plenário do Tribunal do Júri do Palácio da Justiça de São Paulo, tradicional sala que funcionou entre 1927 até 1988, mas que, atualmente, tem acesso limitado. Nele, foi julgado, por exemplo, Chico Picadinho. A sala Desembargador Paulo Costa só é aberta para visitas monitoradas e em ocasiões especiais como posses de desembargadores.

Postado por: Thatiane de Souza

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