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Ministério Público recebe inquérito que indicia ex-chefe da Polícia Civil

Ministério Público recebe inquérito que indicia ex-chefe da Polícia Civil

Atualizado: Sexta-feira, 18 Fevereiro de 2011 as 1:18

O Ministério Público do Rio recebeu na manhã desta sexta-feira (18) o inquérito da Polícia Federal que indicia o ex-chefe da Polícia Civil , Allan Turnowski, por violação de sigilo funcional.

O promotor Homero Freitas não informou ao MP em quanto tempo vai dar seu parecer sobre o inquérito. O responsável pelo inquérito, o delegado da PF Allan Dias, não quis dar detalhes sobre o documento.

Também nesta sexta (18), durante a passagem de comando da área de pacificação no Alemão, na Zona Norte da cidade, o governador Sérgio Cabral e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, não quiseram comentar o assunto.

“Sou temerário a fazer algum comentário sobre isso. Não tenho como comentar isso”, disse Beltrame quando foi questionado se achou precipitado o indiciamento. E completou: “Não tenho nenhum problema em ser ouvido. Se eu precisar ser ouvido estou à disposição. Isso é uma coisa normal”.

Já Cabral foi enfático. “Não vou falar sobre isso”.

Indiciado

Turnowski foi indiciado após prestar mais de três horas de depoimento na sede da Polícia Federal, na Zona Portuária, na quinta (17). Segundo a PF, ele teria alertado um inspetor sobre a investigação da Operação Guilhotina, deflagrada na sexta (11). O ex-chefe negou que soubesse da operação. Ele deixou o cargo de chefe de Polícia Civil na terça-feira (15).

O inspetor citado no inquérito foi preso durante a Operação Guilhotina e é suspeito de integrar uma milícia em Ramos. Na operação, policiais civis e militares acusados de desvios foram presos, entre eles o delegado Carlos Oliveira, que foi subchefe de Polícia Civil na gestão de Turnowski.     Ex-chefe nega acusações

Após o indiciamento, Turnowski negou que soubesse da operação, e disse que o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, confirma isso. O ex-chefe de Polícia Civil afirmou também que não acredita que a acusação passará "pelo crivo do Ministério Público ou da Justiça". 

“Nada tem contra mim. Está escrito aqui [ no depoimento]: prestou declarações como indiciado por vazamento de informações sendo que a informação foi obtida através da Secretaria de Segurança Pública, sendo que o secretário não foi ouvido. Eu já fui indiciado antes que alguém da Secretaria de Segurança me dissesse que falou pra mim que eu sabia da operação, ou seja, antes de ter sido indiciado deveriam ter perguntado ao secretário se ele falou comigo. Eu liguei para ele durante a audiência e falei:' secretário o senhor falou comigo da operação? E ele, claro que não'”, defendeu-se Turnowski.

Posição do secretário José Mariano Beltrame

Uma nota enviada pela Secretaria de Segurança Pública, após o depoimento do ex-chefe de Polícia nesta quinta, informa que o secretário José Mariano Beltrame "ligou para o chefe da Polícia Civil, cargo então ocupado pelo delegado Allan Turnowski, ao ser informado pela Polícia Federal que policiais civis estavam extorquindo um traficante durante a operação do Complexo do Alemão. Como autoridade máxima da segurança do Estado, cobrou a Allan providências. Em nenhum momento, o secretário Beltrame mencionou a Operação Guilhotina".

O ex-chefe de polícia disse ainda que o depoimento desta quinta-feira serviu para provar sua inocência. Ele voltou a dizer que não há provas de escutas telefônicas ou grampos que apontem o seu envolvimento em esquemas de “mesadas” de milicianos e do Camelódromo.     ”Fui massacrado essa semana como se fosse o maior vilão da Policia Civil do Rio. Foi um sofrimento para mim, minha família e meus amigos. Não fui indiciado de nada, o único indiciamento que eu tive depende das palavraa do secretário de Segurança”, desabafou Turnowski.

Mais cedo, em entrevista ao RJTV , ele já havia dito que o telefonema citado pela PF foi para confirmar se o inspetor ia conduzir um preso à delegacia, e já havia negado que tivesse vazado informações. “Eu não tenho como vazar uma operação que eu desconhecia”, afirmou.

Turnowski também negou que recebia propinas de criminosos e afirmou que não há provas contra ele. A acusação foi feita por uma testemunha da Polícia Federal, de acordo com o jornal "O Globo" desta quinta.

Em um trecho do depoimento publicado no jornal, a testemunha acusa o ex-chefe de receber R$ 500 mil de uma milícia em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Turnowski questiona o fato de as acusações serem baseadas em uma única testemunha, sem que outras provas embasem a denúncia. A testemunha diz ainda que R$ 100 mil eram pagos a Turnowski para que não fosse combatida a venda de produtos falsos no Camelódromo da Uruguaiana, no Centro. O ex-chefe da Polícia Civil nega todas as acusações.    

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