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Ministra que teve escolta por seis anos pede "punição exemplar"

Ministra que teve escolta por seis anos pede "punição exemplar"

Atualizado: Sábado, 13 Agosto de 2011 as 9:59

A ministra Iriny Lopes (Secretaria das Mulheres) pediu agilidade e "punição exemplar" para os responsáveis pela morte da juíza Patrícia Acioli, assassinada no Rio na noite de quinta-feira.

"Ela não foi a primeira e gostaria que muito que fosse a última, que nós não tivéssemos mais esse tipo de impunidade que estimula o crime organizado a assinar as pessoas que buscam fazer justiça e fazer a lei", afirmou Iriny, em Brasília.

Mesmo reconhecendo que a Polícia Federal não tem efetivo para atender a todos os pedidos de escolta, a ministra afirmou que é obrigação do Estado brasileiro "garantir a integridade física dos ameaçados".

Iriny contou que ficou seis anos sob escolta da PF e conhece as "dificuldades reais". "É importante ter escolta, mas é preciso ter métodos de inteligência", disse ela, que precisou de escolta por combater o crime organizado no Espírito Santo.

ESCOLTADOS

Informações colhidas pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) revelam que apenas 42 juízes brasileiros estão sob escolta policial, sendo que pelo menos 69 já foram ameaçados e 13 vivem em "situação de risco".

De acordo com a corregedora do conselho, ministra Eliana Calmon, o Judiciário está "cochilando" em garantir a segurança desses magistrados. No início da tarde desta sexta-feira, ela havia dito que pelo menos 87 juízes vivem sob ameaça no Brasil.

Posteriormente porém, o CNJ encaminhou à imprensa os números detalhados, separando entre "ameaçados", "sujeitos à situação de risco" e aqueles de fato "escoltados".

"Temos cochilado um pouco nas medidas de segurança dos juízes. Não se pode, por exemplo, ter uma vara tão forte e rigorosa, como a da magistrada assassinada, com um único juiz responsável", disse Eliana Calmon.

PROTEÇÃO

Já o presidente da Associação dos Magistrados do Rio, Antônio Siqueira, afirmou que a juíza dispensou a segurança oferecida pelo Tribunal de Justiça.

Siqueira falou a jornalistas na cerimônia de troca de comando da Força de Pacificação do complexo de favelas do Alemão, na zona norte do Rio, onde conversou com o governador Sérgio Cabral (PMDB).

De acordo com o magistrado, Patrícia dispensou, em 2007, a segurança oferecida pelo tribunal aos juízes ameaçados. Ele disse que, na época, ela explicou que seu companheiro era policial e que ele se encarregaria de sua segurança. Para Siqueira, não houve falha do tribunal em fornecer proteção à magistrada.

Familiares da juíza   contestam   a versão. Segundo os parentes, Patrícia continuava recebendo ameaças e as relatava por meio de ofício ao TJ (Tribunal de Justiça do Rio).

"Ela tinha solicitado escolta e o pedido tinha sido negado. Houve negligência na segurança dela", afirmou a médica Mônica Lourival, prima da juíza.

  Osvaldo Praddo/Ag. O Dia     Juíza de 47 anos é assassinada a tiros em frente a sua casa em Niterói, na região metropolitana do Rio

EMBOSCADA A juíza foi morta às 23h45 quando chegava em sua casa após uma sessão no fórum de São Gonçalo, na região metropolitana. De acordo com o delegado Felipe Ettore, responsável pela investigação do   assassinato , Acioli foi morta com 21 disparos por um procedimento de emboscada.

"A vítima foi executada em emboscada e alvejada 21 vezes", disse Ettore, na Delegacia de Homicídios da Barra, na zona oeste do Rio.

Segundo a polícia, as   imagens   flagraram o momento em que os criminosos fugiam após o crime. Testemunhas afirmaram que eles estavam em dois carros e duas motos, mas o número de criminosos que participaram da ação ainda é desconhecido.

"LISTA NEGRA"

Segundo a Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) a juíza integrava uma "lista negra" com o nome 12 pessoas que estavam marcadas pelo para morrer. A lista foi encontrada com um suposto traficante preso no Espírito Santo.

De acordo com a entidade, Patrícia é "mártir da magistratura no combate ao crime organizado". A nota ainda diz que o carro da juíza já havia sido metralhado anteriormente e "mesmo assim não tinha qualquer segurança a sua disposição".    

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