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Ministro diz que mesmo sem Negromonte, PP não deve deixar a Esplanada

Mesmo sem Negromonte, PP não deve deixar a Esplanada

Atualizado: Quinta-feira, 2 Fevereiro de 2012 as 10:17

Interlocutor próximo à presidente Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, disse nesta quinta-feira que, mesmo com a saída de Mário Negromonte do comando do ministério das Cidades, o PP não deve perder espaço na Esplanada. O ministro, no entanto, não garantiu que a legenda continue na mesma pasta. Negromonte deve entregar sua carta de demissão à presidente Dilma Rousseff no fim da manhã de hoje.

"O PP não é um partido qualquer, não é um partido de apoio incidental ao governo. O PP tem sido um parceiro nosso. Nós temos pelo PP um grande respeito e é, portanto, muitíssimo provável que o PP continue integrando o ministério da presidenta Dilma", disse. "Se vai continuar no ministério das Cidades ou não, eu não posso adiantar. Insisto, essa é uma competência exclusiva da presidenta. Mas não está em discussão de maneira alguma a relação com o PP" acrescentou o ministro.

Gilberto negou que tenha conversado com o ministro ou com o partido em meio à crise política, a exemplo de outros ministros que caíram no ano passado. "Não tenho conversado com o ministro, salvo na última reunião ministerial. O Negromonte teve com a gente comportamento sempre companheiro, mas não tive nenhuma participação nesse processo e, portanto, não acompanhei esses últimos acontecimentos."

No momento, oito ministros já deixaram a cúpula do governo. Seis deles por suspeitas de corrupção. Negromonte seria o sétimo a integrar o grupo. A situação política dele começou a se desgastar após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo ter mostrado um documento supostamente forjado pela diretora de Mobilidade Urbana da pasta, Luiza Gomide, que teria adulterado um parecer técnico que vetava a mudança de um projeto de mobilidade em Cuiabá (MT). Com a suposta adulteração, os custos da obra foram ampliados em R$ 700 milhões.

Também entre as denúncias existem suspeitas de que o tesoureiro do PP, Leodegar Tiscoski, e outros executivos ligados à legenda favoreciam empreiteiras no gabinete do Ministério das Cidades, liberando recursos para obras consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A pressão se agravou na última semana, após matéria do jornal Folha de S.Paulo, que diz que o ministro teria participado, junto com o secretário-executivo da pasta, Roberto Muniz, de reuniões privadas com um empresário e um lobista. Após a denúncia, o chefe de gabinete do ministro, Cássio Peixoto, foi demitido. Negromonte foi ao Senado e negou irregularidades em sua gestão.

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