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Morador faz poesia inspirada em ocupação do Alemão

Morador faz poesia inspirada em ocupação do Alemão

Atualizado: Sexta-feira, 3 Dezembro de 2010 as 8:17

O cearense Edvar Melo Aquino, de 54 anos, trabalha há três anos em uma lanchonete na comunidade da Grota, no Conjunto de Favelas do Alemão, e revelou que sente a diferença no ambiente da região após a ocupação da polícia e do Exército. Para desabafar e mostrar a felicidade que sentiu após o retorno do poder público ao local, ele escreveu uma poesia.

“Meu pai querido estendeu a mão no Alemão. Botou os homens para trabalhar com amor e dedicação para a população”, recitou Aquino ao G1 , com os olhos mareados.

Antes de criar a poesia, ele se lembrou de outra que tinha feito ainda antes de morar no Alemão. Segundo Aquino, os versos também servem para mostrar o que sentia pela comunidade antes da ação policial. “Um anjo do céu me perguntou por que estou tão triste? É verdade, me sinto como jardim sem flor, o mar vazio e a noite sem dia.”   Seguindo os versos, Aquino disse que a poesia retrata como se sente na comunidade atualmente. “Parei, pensei e subi uma montanha. Cheguei e encontrei o jardim, o mar, o dia e você, meu Deus, todo poderoso.”

Aquino abre o estabelecimento todos os dias, das 6h às 14h. Atrás do balcão da lanchonete, ele divide com os clientes, vizinhos e amigos alguns instantes de conversa. Entre uma cerveja, dose de cachaça ou ovo colorido que vende para as pessoas, ele debate sobre futebol, música e até sobre segurança pública. “O que mais me importa são os direitos humanos que precisam ser respeitados, seja qual for a situação.”

Ele saiu de Mucambo (CE), aos 18 anos, para morar no Rio de Janeiro. Há três anos, Aquino se mudou para São Paulo, onde viveu por cerca de três meses, mas não aguentou as saudades. “Voltei depois de muita angústia. Hoje estou aliviado e feliz”. Sonhos? Aquino quer escrever um livro de poesia. “Primeiro vou registrar os textos, depois vou começar com uns cordéis e vender aqui na lanchonete mesmo”.    

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